Marina Milos - Bióloga
A função básica
das trocas de água é remover impurezas,
sujeira acumulada no fundo, e baixar o nível
de nitrato, que é uma proteína que se
acumula na água, produto da decomposição
da sujeira por bactérias. As exigências
de cada espécie quanto à trocas d`água
varia, de forma que o que será discutido aqui
vai ser um padrão geral.
Na média, a frequência
das trocas de água pode ser de uma vez a cada
15 dias, com uma troca de 20% da água nessa
ocasião. Eventualmente, se as condições
da água parecerem piorar, pode-se fazer uma
troca maior (40%), ou aumentar a frequência
das trocas. As trocas de água devem ser feitas
usando um sifão.
COMO SIFONAR O AQUÁRIO
.
Material Necessário:
-sifão;
-balde limpo, para uso somente no aquário.
Esse balde vai ser usado para tirar água, e
depois para tratar e repor a água nova.
-condicionador de água: preferencialmente um
que anule da água tanto o cloro quanto a cloramina
(composto de cloro + amônia, não é
volátil) e também os metais pesados.
Para sifonar o aquário, as
bombas e aquecedores devem ser desligados (o nível
da água vai baixar), mas os peixes ficam no
aquário.
O sifão trabalha usando a
gravidade: o aquário fica mais alto que o balde
e depois de dar "ínício" no
sifão, a água vai ser drenada do aquário
para o balde. Para "iniciar" o processo,
podemos encher o sifão na torneira ou chupar
água do aquário direto, pelo sifão.
Como a ponta do sifão que fica dentro do aquário
é mais larga que o tubo, não há
pressão suficiente para sugar o cascalho, e
apenas a sujeira é removida; é interessante
revolver de leve o cascalho com o sifão, aproveitando
para limpar o fundo e remover restos de comida e dejetos
dos peixes.
É fundamental tratar a água
que será colocada no aquário para remover
cloro e outros produtos e deixá-la o mais parecida
possível com a água do aquário
em relação ao pH e temperatura; para
isso usando o produto condicionador e o balde. ATENÇÃO:
se a troca de água é muito grande, maior
que 20% do volume total do aquário, não
devemos completar a água de uma vez, pois os
peixes podem até morrer com o choque causado
pela diferença na qualidade da água
nova, de forma que devemos completar o aquário
um pouco de cada vez, dando intervalos de 1/2 hora
para que os peixes vão se acostumando com a
água.
Quanto à limpeza de filtros
externos ou internos que usam material filtrante,
quanto mais se limpa, mais duram os materiais filtrantes,
e melhor a qualidade da água, de forma que
eu recomendo limpeza dos materiais que retêm
sujeira 1 vez por semana, e troca dos elementos que
sofrem desgaste (como o carvão ativado) a cada
30-40 dias. As hélices e rotores de filtros
e bombas também devem ser limpos periodicamente,
de acordo com orientação do fabricante.
A MATEMÁTICA DAS TROCAS
DE ÁGUA
Acho que todo mundo que tem um aquário
ja ouviu sobre a necessidade de trocar água
do aquário. O motivo das trocas não
é exatamente limpar a água, mas sim
purificá-la de substâncias acumuladas
em excesso, e repor alguns elementos que vão
sendo depletados ao longo da vida do aquário.
O principal produto acumulado no aquário é
o nitrato, uma proteína que se forma basicamente
pelos processos de decomposição no aquário,
tanto da amônia da urina dos peixes, quanto
de restos de alimentos.
O nitrato em baixas concentrações
não faz mal aos peixes, mas em alta concentração
torna os peixes cada vez mais suscetíveis a
doenças e prejudica muito as plantas, causando
amarelamento das folhas, normalmente de baixo para
cima, e sua morte. Nesse artigo vamos tratar da diminuição
dos níveis de nitrato por trocas de água.
Qual a quantidade ideal de água
a ser trocada?
Aqui vou abrir um parênteses
para garantir que trocar toda a água, no tradicional
processo de desmontar o aquário e lavar tudocertamente
não é o melhor. Dessa forma a concetração
de nitrato cai para zero, mas concomitantemente se
destroi toda a biologia que havia se desenvolvido
no aquário, dificultando em muito a sobrevivência
dos peixes e causando sempre baixas entre os mesmos.
Na sequência de esquemas abaixo
temos um aquário que foi montado, estabilizado,
recebeu os peixes lentamente, ao longo de um mês
e acumula, em média, 10 ppm(partes por milhão)
de nitrato por decomposição ao mês
(representado pelas bolinhas vermelhas). À
esquerda temos um aquário aonde são
feitas trocas semanais de 10% do volume do aquário,
e a direita um aquário aonde é feita
uma troca única mensal de 50% do volume. Cada
figura conta com uma legenda e uma equação
matemática, aonde temos o valor de nitrato
antes da troca, que é o valor anterior mais
2,5 ppm (que é a quantidade de nitrato acumulada
ao longo de uma semana), menos 12,5 % (no caso das
trocas semanais), que representa a quantidade de nitrato
removida na troca, e o valor resultante de nitrato
logo após a troca de água.
| Rotina
de trocas de 12,5 % da água por semana |
Rotina
de trocas de 50 % de água por mês. |
 |
 |
Semana0
= 10 ppm de nitrato
Nesse ponto o aquário já está há um mês com
peixes, e com 10 ppm de nitrato, que foram acumulados
ao longo desse 1º mês. |
Semana0
= 10 ppm de nitrato
Nesse ponto o aquário já está há um mês
com peixes, e com 10 ppm de nitrato, que foram acumulados ao longo desse
1º mês. |
 |
 |
| Semana1
= (10 ppm + 2,5 ppm) - 12,5 % = 10,94 ppm |
Semana1
= 10 ppm + 2,5 ppm = 12,50 ppm |
 |
 |
| Semana2
= (10,94 ppm + 2,5 ppm) - 12,5 % = 11,76 ppm |
Semana2
= 12,50 ppm + 2,5 ppm = 15 ppm |
 |
 |
| Semana3
= (11,76 ppm + 2,5 ppm) - 12,5 % = 12,48 ppm |
Semana3
= 15 ppm + 2,5 ppm = 17,50 ppm |
 |
 |
Semana4
= (12,48 ppm + 2,5 ppm) - 12,5 % = 13,11 ppm
Ou seja, as
trocas de 12,5 % de água semanais, mesmo representando um volume total de
50 % de trocas ao mês (12,5 % na semana 1, + 12,5 % na semana 2, + 12,5 %
na semana 3, + 12,5 % na semana 5) não foram suficientes para controlar a
concentração do nitrato, que pulou de 10 ppm no começo do mês, para 13,11
ppm após 4 trocas semanais de água de 12,5 %. |
Semana4
= (17,5 ppm + 2,5 ppm) - 50 % = 10 ppm !
Ou seja, com essa rotina de trocas de água de
50 % ao mês, através de uma única troca, voltamos
ao valor inicial de 10 ppm de nitrato, assim,
o nitrato está sob controle nesse aquário. |
| Ao
final de 8 semanas.... |
Ao final de 8 semanas... |
 |
 |
Semana8
= 14,93 ppm de nitrato acumulados.
Aqui o aumento da
concentração de nitrato está fora de controle, ou seja, ao longo de alguns
meses o nitrato vai chegar a níveis aonde começará a ser prejudicial aos
peixes. |
Semana8
= 10 ppm de nitrato
Ou seja, nessa rotina de trocas de água nós
temos, ao final da 2ª sequência de trocas de
50 %, o mesmo valor de nitrato que tinhamos
na semana 0, a semana inicial. |
Para fins práticos, é
aceitável uma concentração de
nitrato de até 25 ppm, sendo que concentrações
superiores a essa começam a ser prejudiciais
aos peixes, e as plantas começam a parar de
crescer, ao que se segue o amarelamento das folhas.
No esquema acima, a rotina de trocas de 50 % de água
mensal, consegue manter indefinidamente o nível
de nitrato em algo entre 10 ppm e 20 ppm, enquanto
que a rotina de trocas menor, mas semanais, não
consegue controlar a subida lenta, mas constante,
da concentração de nitrato. Deve-se
levar em conta, na análise dos dados acima,
que alguns valores foram escolhidos para facilitar
a compreensão, mas que não são
necessariamente aplicáveis nos casos reais,
como o acúmulo de 10 ppm de nitrato por mês;
a quantidade de nitrato produzida está ligada
a diversos fatores, dentre eles: quantidade de peixes
no aquário, quantidade de alimentos oferecidos
aos peixes, qualidade dos alimentos, tipo de filtragem
utilizada, periodicidade na manutenção
de filtros externos (quando esses são usados),
uso de resinas para controlar o nitrato ou absorver
a amônia (não deixando essa se transformar
em nitrato), presença de plantas naturais no
aquário, e outros.
Cabe dizer que resolver o problema
do excesso de nitrato no aquário através
de uma grande troca d`água pode não
ser a melhor solução: ao mesmo tempo
em que alivia a concentração de nitrato,
essa troca pode dar um choque de temperatura ou pH
nos peixes, que também pode ser fatal. Tomemos
como exemplo a água de São Paulo - S.P.,
que sai da torneira bem alcalina, com pH superior
a 7,5, mas com dureza quase zero (o que faz com que
o pH não esteja tamponado, podendo cair rapida
e facilmente caso ácidos sejam liberados no
aquário). Em um aquário montado com
essa água a tendência do pH é
acidificar rapidamente com a colocação
de peixes e o subsequente processo de decomposição
dos restos de alimento e dos excrementos dos peixes.
Assim, um aquário com pH inicial de 7,4 pode
passar, em questão de dias (digamos 15) para
6,8 e continuar caindo. Os peixes vão se adaptando
ao longo do tempo a essa queda gradual do pH, mas
na hora da grande troca de água, que será
feita de uma vez, o choque de pH ao misturar 50 %
de água com pH 7,5 com 50 % com pH 6,8 ou menos,
pode ser fatal. Para não fazer uma troca de
água prejudicial, é importante acompanhar
os parâmetros da água do aquário,
principalmente o pH, para saber o que está
acontecendo, e até usar esses dados para decidir
quando fazer trocas de água, e a porcentagem
das mesmas.
Este é um artigo produzido
por Marina Milos