Marina Milos - Bióloga
Um aquário ornamental pode
ter de 1 a mais de 1000 litros de água. Por
vários motivos, o mais comum são aqueles
contendo entre 10 e 200 litros. Qualquer recipiente
bem limpo e vedado pode ser utilizado para alojar
os peixinhos; porém, por motivos estéticos,
o recomendável é que o aquário
seja um recipiente de vidro ou acrílico transparente
para facilitar a visualização.
Aqui vão alguns fatores que
eu considero importantes para ajudar nessa decisão:
1- Aonde o aquário vai ser
colocado. É recomendável montar o aquário
em cima de um móvel (ou outra estrutura apropriada)
sólido, de preferência em local que não
tome luz solar direta, e a uma altura do chão
que seja agradável de se olhar para ele.
2- Quanto maior o aquário, mais caro ele vai
custar, e também o equipamento que vai dentro
dele.
3- Quanto maior o aquário, mais fácil
estabilizar sua biologia.
4- Um aquário pequeno é mais fácil
de limpar.
5- Eu tenho algumas bacias de 20 litros ou mais no
meu quintal que abrigam muito bem alguns peixes de
espécies mais resistentes.
A quantidade de peixes e as espécies
escolhidas pra habitar o aquário também
influenciam na decisão do tamanho do aquário.
Se a intenção é de por peixes
grandes e vistosos, o espaço para eles habitarem
também deve ser grande; enquanto que para montar
um conjunto de peixes mais variado, porém menor,
ou para abrigar apenas alguns elementos de alguma
espécie pequena e bem resistente, um aquário
partindo dos 10 litros de água pode ser suficiente.
Para conhecer um pouco mais sobre as espécies
de peixes ornamentais pode-se ler um bom livro sobre
o assunto, visitar lojas de peixes ornamentais, ou
alguns endereços da internet que se aprofundam
mais no assunto.
É muito grande a variedade
de espécies de peixes que podem ser consideradas
como ornamentais. Os peixes variam quanto ao tamanho,
agressividade, alimentação, exigências
quanto à qualidade da água, temperatura,
etc. Nesse trabalho eu vou dar uma pequena descrição
de algumas espécies mais comuns, e que eu recomendo
para o principiante. Para a criação
de espécies mais exigentes eu recomendo que
antes de adquirir os peixes sejam estudadas as necessidades
destes, e que sejam aprendidos conceitos de pH, água
mole e água dura, e outras classificações
relativas a compostos químicos dissolvidos
na água que possam existir, e que vão
afetar o bem estar dos peixinhos.
Lebistes: são peixes pequenos,
podem ser encontrados com vários coloridos,
são extremamente resistentes, comem de tudo
, são pouco exigentes com a qualidade e temperatura
da água e se reproduzem com facilidade, mesmo
nas mãos de um principiante. A alimentação
pode ser baseada em comida seca pronta encontrada
nas lojas do ramo. Para a reprodução
é necessário que o aquário tenha
plantas para que os filhotes, que já nascem
prontos e nadando, possam se esconder dos outros peixes
adultos, e não servirem de comida. As femêas
de lebistes não colocam os ovos, elas os incubam
internamente, e são por isso ovovivíparas.
Peixinhos Vermelhos, Kyngyos ou Goldfishes:
são encontrados em várias formas e coloridos
muito atraentes, o aquário para abrigá-los
deve começar em 30 litros, são pouco
exigentes quanto a dieta e não necessitam de
nenhum controle de temperatura da água. Aceitam
muito bem comida seca pronta, de preferência
que seja especial para goldfishes, e também
gostam muito de vegetais, como uma folhinha de alface
cozida colocada de vez em quando na água. Podem
crescer bastante, atingindo mais de 10 cm quando adultos.
Tricogasteres (Trichogaster trichopterus)
e Colisas (Colisa lalia): são pouco exigentes
quanto a qualidade da água, porém uma
temperatura abaixo de 18 graus Celcius pode ser fatal.
Deve-se escolher apenas uma das espécies inicialmente
e, levando-se em conta o tamanho final adulto do peixe,
escolher um tamanho de aquário aonde eles fiquem
“espaçosos” (no mínimo 12
litros para cada 3 cm de comprimento do peixe, excluindo-se
a cauda). Não são muito exigentes quanto
a dieta, aceitando facilmente comida seca, porém,
para fazê-los felizes, é recomendável
dar de vez em quando comida viva, ou comida fresca
preparada para peixes, a base de carne. A reprodução
é conseguida facilmente quando apenas um casal
é mantido no aquário, com a ressalva
de que a femea deve ser separada do macho (que é
o responsável pelos ovos) após a postura,
pois o macho toma uma atitute extremamente agressiva
em relação a ela. Essas espécies
fazem um ninho de bolhas na superfície da água
aonde são depositados os ovos, que ficam aos
cuidados do macho até a eclosão.
PEIXE x AQUÁRIO
- É verdade que o peixe cresce de
acordo com o tamanho do aquário?
Não.
Os peixes, como os outros seres vivos,
têm seu tamanho, colorido, formato, e outras
características determinadas pelo seu código
genético.
Essa crença de que se o aquário
é pequeno o peixe fica pequeno é velha,
do tempo em que os peixinhos raramente viviam mais
de 10 dias em aquário... Tempos idos, pois
hoje, com todo o conhecimento que se desenvolveu no
aquarismo, o período médio de vida do
peixe no aquário pode ultrapassar sua expectativa
de vida na natureza! Em um aquário bem planejado,
sendo o peixe alimentado com comida balanceada para
suprir suas necessidades nutricionais, mantido em
água com os parâmetros equivalentes aos
do seu habitat de origem e, se assim for a vontade
do aquarista responsável, sem predadores ao
redor, os peixes podem ter um período de vida
no aquário superior àquele na natureza.
Bom, mas voltando ao assunto desse
artigo, por quê um peixe, ou qualquer outro
ser na natureza desenvolveria um mecanismo de controle
do tamanho que permitisse que alguns exemplares da
espécie crescessem mais e outros menos, dependendo
do recipiente aonde fossem colocados? Se fosse assim,
os humanos provavelmente estariam a cada geração
diminuindo de tamanho...
Outros mecanismos limitam o crescimento
dos peixes no aquário, mas ao conhecê-los,
ninguém vai querer manter um peixe que cresce
muito em um aquário pequeno!
- Alimentação: evidentemente
esse é um fator limitante; um peixe que come
pouco cresce pouco. Isso é até bom para
quem tem pouca experiência com aquários,
já que geralmente os peixes passam por longa
estiagem na natureza, períodos quase sem alimento,
e sobrevivem. Sem comida o peixe não suja a
água, não deteriorando a qualidade dessa,
e em um sistema fechado como o aquário, a água
poluída mata mais que a falta de comida.
- Nitrato: o nitrato é uma
proteína que se acumula, produto da decomposição
das fezes, urina e restos de comida na água.
Na natureza, o nitrato seria levado pela correnteza,
e diluído pelo enorme volume de água
disponível, mas no aquário essa proteína
se acumula na água, engrossando a mesma, coisa
que nós não vemos, mas o peixe sente.
O aumento na concentração de nitrato
inicialmente é pouco sentida, mas quando a
concentração chega em níveis
mais altos, os peixes começam a sentir, se
alimentam menos, ficam mais parados, e muito predispostos
a problemas de saúde. Existe uma relação,
observada, de que quando as concentrações
de nitrato aumentam, os peixes crescem menos, e até
param de crescer. Assim, em um aquário pequeno
um peixe pode mesmo crescer menos, mas isso ocorre
porque o nitrato, que faz mal para o peixe, se concetra
mais rápido em um volume menor de água,
inibindo o crescimento do peixe. Na minha opinião,
é uma maldade colocar peixes em um aquário
pequeno, e esperar que eles não cresçam
por causa do nitrato, por que a água deles
acumulou sujeira suficiente para inibir, de algum
forma, seu crescimento. Fato é que um filhote
de peixe grande colocado em um aquário pequeno,
mas no qual a água é totalmente trocada
diariamente, zerando o nitrato, vai crescer normalmente,
até morrer por outra causa limitante, como
a falta de oxigênio suficiente dissolvido em
um volume pequeno de água.
Para concluir, ou melhor dizendo,
a moral da estória é: quando montar
um aquário, coloque peixes adequados ao tamanho
do mesmo, planeje ter um aquário com peixes
saudáveis, que vão viver bem, até
vindo a se reproduzir!
Este é um artigo produzido
por Marina Milos