Gianmarco Bertacini
O substrato em um aquário
plantado é de vital importância para
o sucesso destas montagens. É responsável
pela fixação e nutrição
das plantas. Plantas aquáticas podem absorver
nutrientes pelas folhas, mas para muitas a absorção
pela raiz é preferêncial, principalmente
para aquele grupo de plantas chamadas de anfíbias,
aquelas que podem viver tempos completamente submersas
como completamente emersas (adaptaram-se aos períodos
de seca e cheia na natureza). Esse grupo de plantas
é o mais extenso em uso no aquarismo, portanto
a ausência de um substrato fértil neste
aquário não proporcionará vida
plena a estas plantas, o que leva ao insucesso da
montagem como um todo.
Vou comentar aqui o uso de materiais
mais freqüentemente usados por aquaristas e encontrados
no comércio, portanto com alguma referência
de uniformidade. Não são contudo, os
únicos materiais usados, há diversos
outros materiais, uns já testados, outros apenas
de enorme potencial, porém não muito
testados ainda, mas a forma de montar é a mesma,
a disposição das camadas, quaisquer
que sejam os materiais, deve ser separada e montada
da seguinte forma:
Camada fértil
– tudo aquilo que contém material para
nutrição das plantas constitui essa
camada. Será a camada mais profunda, longe
do contato com a coluna livre de água.
Camada inerte –
será a camada que recobrirá a camada
fértil, isolando-a da coluna livre de água.
Também é o primeiro local de fixação
das plantas, como na figura abaixo.

Materiais mais usados como camada
inerte são cascalhos de rio de fina granulação
e areias. As areias não podem ser muito finas,
como as areias de praia por exemplo, pois compactam
demais o substrato, o que não é desejável.
A granulação de areias encontradas no
comércio é muito variada e nem sempre
muito constante, é comum não achar a
granulação ideal de tempos em tempos.
Para não cair no erro de usar a que tem na
hora da procura, que pode ser ou muito grossa ou muito
fina, procure sempre as boas lojas do ramo, mais acostumadas
com aquários plantados, pois elas mantém
um estoque constante. O cascalho de rio fino já
é um material que preserva mais uniformidade
na apresentação, as granulações
são sempre constantes. É mais fácil
de ser achado nas lojas do que as areias. Procure
sempre por cascalho de rio fino. Ambos os materiais,
o cascalho e as areias, devem ser inertes quimicamente,
não devem ter poder de alterar propriedades
da água, devem ser neutros nesta característica.
Abaixo da camada inerte de cobertura
vem a camada fértil. Há diversos materiais
para serem usados para a composição
dessa camada, porém o intuito desse artigo
é mostrar os mais usados, que sejam de resultado
eficaz e fáceis de serem encontrados, que são:
Laterita e os fertilizantes orgânicos comerciais
e caseiros.
A Laterita pode ser encontrada basicamente
em duas versões, a do tipo cascalho ou a do
tipo concentrada. A do tipo cascalho vai ocupar mais
espaço físico do que a concentrada,
pois é apresentada como um cascalho mesmo.
Portanto na hora de calcular a quantidade da camada
inerte de cobertura, quem está usando a laterita
do tipo concentrada terá que possuir maior
quantidade da camada de cobertura do que quem está
usando a laterita do tipo cascalho, pois a laterita
tipo concentrada vem em muito pouca quantidade se
comparada a do tipo cascalho, e portanto precisa ser
misturada com a outra camada. Veja a figura abaixo:

A quantidade a ser usada do tipo
concentrada vem descrita na bula que acompanha o produto,
já a do tipo cascalho não. Também
há variações na forma de usar
a laterita do tipo cascalho, interferindo aí
mais uma questão de gosto pessoal do que comprovação
científica. Geralmente é montada uma
camada entre 3 a 5 cm de altura por toda a área
do substrato, pouco a mais ou pouco a menos também
não interfere em nada. A quantidade a ser usada
está intimamente ligada ao tamanho do aquário,
portanto cada tamanho é uma quantidade aproximada.
Oriente-se pelas lojas, pois já estão
mais acostumados com as diversas quantidades para
os variados tamanhos de aquários.
Os próximos materiais da camada
fértil são os fertilizantes orgânicos
comerciais e caseiros. Só mais um lembrete
em questão a laterita. A laterita exclusivamente
não categoriza um substrato como fértil.
Ela contém certas quantidades de minerais necessários
para a nutrição vegetal, porém
não é completa, daí a necessidade
de uso dos fertilizantes orgânicos.
Existem os fertilizantes orgânicos
prontos encontrados em lojas, como por exemplo o Tetra
Initial Sticks (TIS), Azoo Condensed Fertilizer entre
outros. Pode-se também utilizar Húmus
de minhoca de boa procedência, já pronto
para uso ou preparar o seu próprio húmus
para usar. (no endereço aprende-se a preparar o
húmus).
Estes fertilizantes orgânicos
deverão ser acomodados na camada fértil,
onde já se encontra a laterita. Segue alguns
exemplos de distribuição desses materiais
nesta camada.
1°- com fertilizante
comercial (ex. TIS)

Aqui o fertilizante é espalhado
entre a camada de laterita. Pode-se “polvilhar”
um pouco de fertilizante, recobrir com laterita, “polvilhar”
de novo e assim por diante (seguir a bula do fabricante).
2°- com húmus

Aqui foi feita uma profunda camada
uniforme de 0,5 a 1 cm de altura. Outra parcela de
húmus foi misturada com a laterita.
A quantidade de húmus na composição
do substrato pode ser calculada em aproximadamente
1,5 kg para cada 50 litros. Pode-se também
misturar fertilizantes, comerciais com húmus
por exemplo, se obterá uma fertilidade mais
completa para esse substrato, porém as quantidades
de cada um deve ser reduzida para se evitar overdose
de nutrientes.
Outro produto encontrado no mercado
são as pastilhas. Essas pastilhas (ou bolas)
são “vitaminas”, usadas quando
se quer dar uma “turbinada” no crescimento
de algumas plantas. As que fazem melhor uso de um
produto assim são as plantas de vigorosa estrutura
radicular como Echinodorus, Aponogeton, Cryptocorine,
Crinum, Anubias, etc. Estas pastilhas são rapidamente
consumidas, portanto não podem constituir exclusivamente
a fertilidade do substrato. Na figura abaixo vê-se
como aplicar esse produto:

Acomodação
e alturas do substrato no aquário
Uma forma básica da acomodação
do substrato é o formato “rampa”,
onde a altura do substrato na frente é menor
do que a parte de trás. Plantas maiores sempre
são acomodadas na parte posterior, portanto
demandam uma maior profundidade de substrato para
a fixação. Plantas à frente são
menores, requerem menos profundidade para atingir
a camada fértil. O efeito estético que
a disposição do formato “rampa”
proporciona também é agradável.
Deve-se evitar a montagem “plana” do substrato,
nem tanto por estética, mas sim pela saúde
das plantas de trás. Tomando como exemplo um
aquário de 40 cm de altura, a porção
dianteira pode possuir como altura total de 4 a 5
cm em média. Já a porção
posterior de 10 a 12 cm de altura em média,
como na figura abaixo:

A porção fértil
do substrato pode manter uma constância de altura
por toda a área, exceção apenas
para a laterita do tipo cascalho, que pode ser levemente
levantada no sentido da “rampa”, mas não
é uma regra. O estilo “Rampa” não
é a única variação na
montagem do substrato. O paisagismo em aquários
plantados é praticamente ilimitado, e a montagem
em diferentes alturas não foge dessa característica,
há inúmeras e inúmeras maneiras
de se montar variando no paisagismo, mas não
é assunto para este artigo.
Espero que esse artigo ajude a quem
está com dúvidas iniciais na montagem
e nos materiais mais usados no preparo de um substrato
adequado para um aquário plantado.
Este é um artigo escrito
e ilustrado por Gianmarco Bertacini