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Adaptado
de estudo de R.W. Rottmann, R. Francis-Floyd, and R.
Durborow
STRESS
Stress fisiológico e feridas
são os principais fatores para doença
e mortalidade dos peixes. Stress é definido como
o conjunto de fatores químicos ou físicos
que determinam reações corporais que podem
contribuir para doença ou morte. Muitos dos patógenos
que causam doenças nos peixes estão continuamente
presentes na água, substrato, ar ou mesmo nos
próprios peixes. Na natureza, os peixes são
normalmente resistentes a eles e são capazes
de procurar as melhores condições de sobrevivência.
No ambiente artificial de nossos aquários, são
enfraquecidos por condições estressantes,
tais como maior densidade de peixes e parâmetros
insatisfatórios da água (ou seja, pouco
oxigênio dissolvido, temperatura indesejável,
níveis elevados de pH, níveis elevados
de dióxido de carbono, amônia, nitrito,
matéria orgânica), ferimentos por manuseio,
inadequada nutrição e higiene.
Essa condições podem
resultar em baixa da resistência, determinando
o desenvolvimento de doenças e infestação
de parasitas. O stress e os ferimentos acionam uma reação
de alarme (resposta de luta ou fuga), que provoca uma
série de alterações no peixe. Uma
elevação do açúcar no sangue
decorre de uma secreção hormonal da glândula
adrenal. Isso produz uma explosão de energia
que prepara o animal para uma situação
de emergência. Adicionalmente, a resposta inflamatória,
uma defesa utilizada pelos peixes contra organismos
invasores, é suprimida pelos hormônios.
O equilíbrio da água no peixe (osmoregulagem)
é quebrado, devido a alterações
no metabolismo dos minerais. Sob tais circunstâncias
os peixes de água doce absorvem quantidades excessivas
de água do ambiente, se superidratam. Essa quebra,
aumenta os requisitos de energia para a osmoregulagem.
A respiração aumenta, a pressão
sanguínea também e células vermelhas
de reserva são liberadas na corrente sanguínea.
Os peixes são capazes de se
adaptar aos stress por um período de tempo. Eles
podem parecer e agir normalmente. Entretanto as reservas
de energia estão sendo esgotadas, e um desbalanço
hormonal ocorre, suprimindo seu sistema imune e aumentando
sua suscetibilidade a doenças infecciosas.
DEFESAS CONTRA INFECÇÃO
Muco
Muco, a camada de muco que recobre a pele e que serve
também para diminuir o atrito com a água,
é a primeira barreira de defesa física
que inibe a entrada de organismos patológicos.
É também uma barreira química,
contendo enzimas e anticorpos que podem matar organismos
invasores. O muco é importante para a osmoregulagem.
Ferimentos determinados por manuseio e certos químicos
na água (condições inadequadas,
remédios aplicados) removem ou enfraquecem a
camada de muco, reduzindo sua competência contra
infecções, exatamente quando seria mais
necessária. Menor lubrificação
faz com que o peixe dispenda maior energia para movimentar-se,
em uma condição em que as reservas de
energia estão comprometidas.
Escamas e pele
Escamas são outra barreira física, que
protege o peixe. Elas são machucadas principalmente
por manipulação, superfícies ásperas
nos aquários ou por lutas entre eles, causadas
por superpopulação ou mecanismos reprodutivos.
Infestações de parasitas podem determinar
prejuízos para as guelras, pele, nadadeiras e
a perda de escamas. Estragos na pele e escamas dos peixes
podem aumentar sua suscetibilidade a infecção.
Também provocam excessiva absorção
de água pelos peixes de água doce. Peixes
que estão pesadamente infestados por parasitas
podem morrer de infecções bacteriológicas
que ingressam através de ferimentos na pele.
Inflamação
Inflamação é uma resposta imune
natural das células a uma proteína estranha,
tais como bactérias, fungos, virus, parasitas
ou toxinas. Inflamação é caracterizada
por inchaço, vermelhidão e perda de função.
É uma resposta protetora, uma tentativa do corpo
de manter fora e destruir o invasor. Qualquer stress
causa alterações hormonais e diminui a
efetividade da resposta inflamatória. Stress
por temperatura, principalmente baixas temperaturas,
pode sustar completamente a atividade do sistema imune,
eliminando esta defesa contra organimos patológicos
invasores. Temperaturas muito elevadas também
comprometem a habilidade do peixe em lidar com infecções,
além de favorecer a aceleração
do desenvolvimento de determinados patógenos.
Além disso, diminui a capacidade da água
de reter oxigênio, aumenta a taxa de metabolismo
e a demanda por oxigênio do peixe.
Anticorpos
Diferentemente da inflamação e outras
formas de proteção não específicas,
os anticorpos são compostos formados pelo corpo
para lutar com proteínas e organismos específicos.
A primeira exposição resulta na formação
de anticorpos pelo peixe, que o auxiliarão a
se proteger de futuras infecções do mesmo
organismo. Exposição a concentrações
sub letais de patógenos são importantes
para que o peixe desenvolva um sistema imune competente.
Animais criados em um ambiente estérial terão
pouca proteção contra a doença.
Animais jovens podem não ter uma resposta imune
tão competente quanto os mais velhos. Stress
compromete a produção e liberação
de anticorpos. Stress de temperatura, particularmente
de rápidas alterações na temperatura,
limita severamente a capacidade do peixe de liberar
anticorpos, dando ao invasor tempo para se reproduzir
e dominar. Stress prolongado reduz a efetividade do
sistema imune, aumentando as oportunidades para organismos
causadores de doenças.
Prevenção de
doenças
Numerosos livros e artigos foram escritos sobre o diagnóstico
e tratamento de doenças específicas. Há
inclusive sites em que o diagnóstico é
feito de forma interativa. Entretanto, a prevenção,
através de boas práticas é o melhor
controle para minimizar os problemas de doenças
e as mortes de peixes.
Bom manejo envolve a manutenção
de uma boa qualidade de água, prevenção
de ferimentos e stress durante a manipulação
e o emprego de medidas adequadas de limpeza e higiene.
PRÁTICAS QUE AUXILIAM
NA PREVENÇÃO DO STRESS
Água
- não exceda a capacidade do aquário em
lotação de peixes;
- monitore e teste os parâmetros de qualidade
da água, principalmente, temperatura, pH, amônia;
- mantenha os níveis de oxigênio dissolvido
acima de 5 mg/l (taxas insatisfatórias de oxigênio,
embora não imediatamente letais, estressam os
peixes, resultando em mortalidade postergada);
- elimine os acúmulos de resíduos orgânicos,
sobras de alimentos, dióxido de carbono dos aquários;
- mantenha faixas adequadas de pH, alcalinidade e temperatura
conforme a espécie;
Transporte e manipulação
- utilize redes macias para capturar e transferir peixes;
- velocidade e gentileza, quando manipulando peixes,
são da maior importância;
- diminua o quantidade de vezes em que os peixes são
retirados da água e trabalhe tão depressa
quanto possível quando transferindo peixes;
- sal pode ser utilizado, na base de uma colher de sopa
para cada quatro litros de água, na água
de transporte, para minimizar a desregulação
osmótica e a infecção bacteriana;
- evite alteração de temperatura da água
durante o transporte;
Nutrição
- forneça uma dieta de alta qualidade, que atenda
aos requisitos nutricionais da espécie;
- utilize uma taxa adequada de alimentação,
tanto superalimentar como subalimentar são prejudiciais;
- armazene o alimento em um local fresco e seco, para
evitar degradação;
Limpeza
- utilize boas práticas de limpeza em aquários
e equipamentos;
- remova os peixes mortos tão logo sejam detectados
- descarte adequadamente os peixes mortos, evitando
que retransmitam doenças;
- quarentene novos peixes, inclusive as redes e equipamentos
neles utilizados.
CONSIDERAÇÕES
STRESS, direta ou indiretamente, é
a principal causa de morte dos peixes de aquário.
É preciso saber o que o causa para evitar que
ocorra.
Os peixes possuem uma "faixa de conforto"
que corresponde às condições em
que vivem na Natureza, os desvios dessa faixa normalmente
os estressam.
Peixes saudáveis são glutões por
natureza, quando seus peixes deixarem de correr para
a comida, mesmo que pareçam bem, procure analisar
as condições dos aquários.
Quando um peixe fica doente por algum fator estressante
ter diminuído suas defesas naturais, pouco adianta
medicá-lo e mantê-lo no mesmo ambiente
inapropriado. Trate do stress juntamente com a doença.
CONCLUSÃO
O stress compromete as defesas naturais
dos peixes contra organismos que provocam doenças.
Quando ocorrer doença, os fatores relacionados
ao stress, bem como o organismo que a causou, devem
ser identificados.
A correção das causas
de stress deve preceder ou acompanhar qualquer tratamento
de doenças. O tratamento de uma doença
é somente uma forma artificial de retardar seus
efeitos, de modo que o sistema imune do peixe possa
responder.
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