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Daniel Eiti
Yamasaki
Todo peixe é susceptível
a doenças e adquirem-nas com certa facilidade
em aquário, devido ao tamanho extremamente reduzido
desse ambiente. Peixes saudáveis já apresentam
maior resistência natural contra diversos seres
invasores. Porém, quando sob certas circunstâncias,
essa resistência cai e é nesse momento
que seu organismo fica exposto a diversos agentes etiológicos
que só estavam esperando por uma oportunidade
como esta.
Transporte, variação
nos parâmetros da água, má qualidade
da água, incompatibilidade de peixes, entre outros,
estressam os peixes, baixando assim, sua resistência
natural. Nos aquários das lojas, na maioria das
vezes, os peixes sofrem de pelo menos 2 desses fatores,
e estão sempre muito estressados, por isso estão
bem susceptíveis a contrariar diversos tipos
de doenças.
Devido a isso que não podemos
introduzí-los diretamente em nossos aquários,
estabilizados e livres de parasitas. Antes de introduzí-los,
devemos dar um período para que possíveis
doenças se manifestem antes e assim, possamos
tratá-los, se preciso. Esse período é
chamado de quarentena e o aquário onde se passa
esse período, chamamos de aquário-quarentena
(AQ).
Como o peixe permanecerá por
um tempo considerável nesse aquário (mínimo
de 6 semanas), devemos ter todo o equipamento necessário
para a manutenção dos peixes. Filtros,
aquecedores... A única diferença do AQ
para o aquário principal (AP), é a falta
de ornamentos, substratos, etc. Isso, para facilitar
sua manutenção e limpeza. Ele também
não deve ser muito pequeno (pelo menos 50 litros,
para peixes pequenos-médios).
Um dos problemas dos aquários
de quarentena, é que normalmente não ficam
funcionando direto (são desmontados na ausência
de peixes). Por isso, não costuma ter as bactérias
benéficas em quantidade significativa (essas
bactérias começam a fazer efeito a partir
de 6 semanas. O aquário só estabiliza
em aproximadamente 6 meses), assim, toda a amônia
formada não pode prosseguir no ciclo do nitrogênio
e resultar em nitrato que não é tão
tóxicos aos peixes. Uma característica
das bactérias, é que se fixam em qualquer
superfície de contato no aquário. Usamos
cerâmicas e outros objetos porosos para sua fixação,
para que haja maior superfície de contato onde
as bactérias possam se fixar. Assim, em menor
volume, tem-se um maior número de bactérias.
Para que haja uma formação rápida
de uma colônia de bactérias no AQ, basta
então transferir as bactérias do AP (já
estabilizado) para o AQ. Para transferir, podemos usar
os elementos filtrantes do AP, no AQ. Não precisa
nem usá-los, basta "lavá-los"
dentro da água do AQ, que no meio das "sujeiras",
haverá milhões de bactérias benéficas,
que se fixarão no seu filtro, outra forma é
manter um filtro de esponjas no AP, para que quando
preciso, tenha uma boa quantidade de bactérias
para transferir para o AQ. Mesmo assim, lembre-se que
ainda não há a quantidade de bactérias
necessárias, que só com o tempo se formarão,
mas dessa forma já se evitaremos possíveis
desastres.
Durante a quarentena, os peixes devem
ser observados atentamente, diariamente. Procure manter
a rotina e tipo de alimentação, temperatura,
pH, etc, semelhantes aos do AP, para que já possam
ir se acostumando. Esse período também
é bom, para o fortalecimento dos peixes, já
que na maioria das vezes, chegam fracos da loja. Mesmo
que nada de anormal aconteça nas primeiras semanas,
deve-se aguardar o período mínimo, já
que há ciclos de parasitas que levam várias
semanas e por isso, podem demorar a se manifestar.
Caso apareça algum sintoma,
é preciso diagnosticar rapidamente e iniciar
o tratamento. Quanto antes começar o tratamento,
maiores são as chances de recuperação.
O peixe deve ser tratado nesse mesmo aquário,
que chamaremos agora de aquário-hospital (AH).
No AH, os parâmetros da água
já não precisam ser iguais aos do AP,
mas sim, ideais para o combate à doença,
principalmente com relação à temperatura.
A limpeza do aquário também deve ser feita
com mais freqüência e é recomendável
aumentar a oxigenação do aquário,
ou seja, no AH, é necessário cuidado especial
para com a qualidade da água, que é um
fator determinante para o sucesso de qualquer tratamento,
aliás, manter a qualidade da água é
o melhor tratamento profilático contra doenças.
Tendo a certeza de que o peixe está
totalmente curado, voltamos ao período de recuperação
– quarentena (pelo menos mais duas semanas após
a cura), mas num estágio mais avançado,
onde se inicia o processo de introdução
do peixe ao AP.
No entanto, mesmo após a quarentena,
é preciso ter atenção aos peixes
novos. Todos os peixes interagem com uma grande quantidade
de microorganismos, incluindo alguns agentes etiológicos,
porém, esta população é
controlada e não consegue afetar o peixe, devido
a um fator já discutido, sua resistência
natural. O problema é que essa resistência
é diferente em cada peixe e não sabemos
como os microorganismos dos peixes do AP, interagirão
com os peixes novos, a recíproca também
é válida, então a quarentena não
garante total sucesso na introdução de
novos peixes, mas já ajuda bastante pois estes
não estarão introduzindo novos agentes
etiológicos no AP, ou pelo menos não tantos
como estariam sem a quarentena. Aquaristas mais exigentes
chegam a, no final da quarentena, introduzir dois peixes
do AP no AQ e observar as suas reações
na presença dos microorganismos presentes nos
peixes novos que já estavam no AQ, evitando assim
expor todo o sistema já estabilizado que existe
no AP.
O processo de adaptação
para o AP, consiste em realizar trocas parciais, usando
a água do AP como a de reposição.
Se os parâmetros das águas dos 2 aquários
não estiverem muito diferentes, a transferência
pode ser feita no mesmo dia. Do contrário, é
melhor fazer no dia seguinte.
Seguindo todo esse processo, dificilmente
terá problemas com peixes recém chegados
ao AP. O risco de doenças também é
muito menor. Lembre-se, todo peixe carrega consigo,
bactérias e outros microorganismos, e muitos
deles poderiam fazer mal a ele, mas num aquário
estabilizado, sob condições ideais, dificilmente
irão causar problemas. Somente quando há
condições para o desenvolvimento desses
seres, é que conseguirão vencer o sistema
imunológico dos peixes. Por isso devemos sempre
manter o aquário em boas condições.
Enfim, o aquário de quarentena,
não é um artigo opcional, ou de luxo.
É um básico do aquarismo, que deve ser
considerado um equipamento integrante do aquário
principal assim como um filtro ou aquecedor, por exemplo.
Sem ele, arriscamos a vida de toda a população
do aquário.
Como dizem, é melhor prevenir, que remediar!
Este é um artigo produzido
por Daniel Eiti Yamasaki
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