Marina Milos - Bióloga
Com um recipiente apropriado e água
já se tem um aquário. Porém,
para descrever esse item, eu vou me basear em um aquário
de vidro, retangular, com capacidade para uns 50 litros
de água, e, inicialmente, o mais simples possível
em relação ao equipamento utilizado.
O aquário deve estar limpo e sem resíduos
de produtos químicos de limpeza.
Manter o aquário é
manter o equilíbrio atingido com a maturação
dos filtros, o crescimento das plantas e a saude dos
peixes. Faz parte da manutenção a interferência
do hobbista para alimentar os peixes, retirar peixes
mortos, podar plantas muito grandes, remover folhas
amareladas e manter a qualidade da água limpando
os filtros, sifonando o cascalho para remover detritos
e fazendo trocas parciais de água.
O primeiro passo é colocar
o aquário no local definitivo, aonde ele deve
ficar bem fixo, sem formar nenhum desnível
em relação ao solo. Coloca-se então
o cascalho, previamente lavado com água, até
uma altura de aproximadamente 5 cm, e por cima do
cascalho a decoraçao de rochas e troncos. Então
enche-se de água até 2/3 da altura.
Como a água das nossas torneiras contém
uma grande quantidade de cloro que é prejudicial
para as plantas e também para os peixes, essa
pode ser tratada dentro do próprio aquário
com algum produto que remove cloro encontrado em lojas
de peixes, ou então a água deve ser
deixada descansando por 2 dias para que o cloro evapore
antes de plantar o aquário. O motivo de encher
apenas 2/3 de água é não transbordar
o aquário quando colocarmos as mãos
para plantar.
As plantas devem ser enterradas no
cascalho com delicadeza, cuidando para não
machucar muito as raizes (se existentes); folhas verdes
não devem ser enterradas, elas devem ser removídas
da parte que será enterrada para que não
venham a apodrecer debaixo do cascalho. Agora termine
de encher o aquário, não esquecendo
de remover o cloro da água antes. Depois desse
passo, o aquário deve ser deixado em repouso
por alguns dias (uma semana ou mais) para que se inicie
um ciclo biológico rudimentar (já que
não foi colocado nenhuma espécie de
filtro no aquário para estimular o ciclo) e
as plantas comecem a criar raizes que vão fixá-las
melhor no solo. Nessa fase, muitas plantas se soltam
e devem ser replantadas. É comum após
2 ou 3 dias de montagem que a água do aquário
se turve e fique leitosa, o que é um sinal
de que o aquário está começando
a formar sua biologia.
Passado o período de fixação
das plantas, e quando a água voltar a ser cristalina,
pode-se começar a introdução
dos peixes. É aconselhável colocar os
peixes aos poucos, deixando passar um período
de alguns dias entre a introdução dos
mesmos. Não se deve superpovoar o aquário,
ou seja, nunca coloque peixes em excesso, pois esses
podem sofrer por falta de oxigênio ou mesmo
intoxicados por seus dejetos que vão se acumulando
sem serem decompostos.
Os peixes devem ser alimentados de
acordo com suas necessidades, mas nunca devem receber
comida em excesso, já que para tentar reproduzir
um ambiente natural nós temos que lembrar que
na natureza uma das lutas diárias desses bichinhos
é conseguir sua comida, que raras vezes é
encontrada em grande quantidade, e nem sempre está
disponível. A falta de comida no aquário
é menos prejudicial do que o excesso, pois
esse acaba caindo no fundo, e se decompondo, poluindo
o aquário. Os peixes ornamentais podem passar
até 10 dias sem receber comida.
As plantas muito grandes acabam por
cobrir a superfície, dificultando a penetração
da luz, e assim alterando o equilíbrio do aquário
ao prejudicar o desenvolvimento de plantas mais baixas
e permitindo que apareçam algas marrons, que
não são prejudicias por si, mas que
demonstram uma alteração na qualidade
do aquário. As folhas amareladas, assim como
o excesso de dejetos e resto de comida, devem ser
removidas para que não comecem a se decompor
alterando a qualidade da água.
Para a remoção dos
dejetos, recomenda-se trocas parciais de água
a medida que vai se formando uma camada de detritos
no fundo. A água a ser reposta deve ser tratada
e estar na mesma temperatura da do aquário,
para que os peixes não sofram um choque térmico.
A melhor técnica é usar um sifão
e com ele cutucar a camada de cascalho para que a
sujeira seja revolvida e sugada pelo sifão.
Por último, se existirem filtros externos,
esses devem ser regularmente checados para verificar
se o elemento filtrante não precisa ser trocado.
Filtro e Iluminação
O filtro biológico é
tradicionalmente um conjunto de placas perfuradas
colocadas no fundo do aquário, abaixo da camada
de cascalho, que tem por função facilitar
a circulação de água na camada
de cascalho, provendo oxigênio para as bactérias
importantes que ai se alojam. Para forçar a
circulação da água pelo filtro
biológico utiliza-se uma bombinha interna ou
externa. Como as placas do filtro biológico
vão por baixo do cascalho, essas devem ser
colocadas no aquário logo na montagem, antes
da colocação do cascalho. Um aquário
com filtro biológico estabilizado permite que
mais peixes sejam colocados no aquário por
litro de água, pois além de transformar
os dejetos dos peixes em produtos menos tóxicos,
ele facilita a troca de gases na superfície
da água, através da movimentação
da mesma.
Quanto a filtros externos, existem
os de vários tipos, porém, com a tecnologia
moderna, e os preços mais altos, eu aconselho
um filtro contendo motor nele mesmo, e com elementos
filtrantes fáceis de trocar, principalmente
na forma de "pads" que quando esgotados
são descartados e substituídos. Atualmente
existem filtros externos que contêm esponjas
para abrigar a camada de bactérias do filtro
biológico, não sendo necessária
nesse caso a utilização das placas abaixo
do cascalho.
Além dos filtros, trocas de
água regulares também ajudam a manter
o aquário limpo, já que na troca aproveita-se
para remover parte dos dejetos que se acumulam no
fundo do aquário e que vão se decompondo
e "sujando" a água com o tempo. A
quantidade de trocas d`água vai depender da
quantidade de peixes no aquário e da utilização
de outros sistemas de filtragem. A água para
a troca não pode conter cloro.
Um detalhe importante a ser citado
é a iluminação do aquário,
já que as plantas necessitam de luz para se
desenvolver. Eu particularmente acho a iluminação
um item mais importante do que a própria filtragem.
Existem para vender em lojas de peixes calhas que
já contém toda a fiação
elétrica montada para funcionar, e só
precisam de uma tomada próxima para serem ligadas
e da lâmpada. Exitem lâmpadas especias
para a iluminação de aquários,
com um espectro de luz mais apropriado para estimular
o crescimento das plantas, mostrar melhor o colorido
dos peixes, etc, que podem também ser encontradas
nas lojas de peixes. Eu considero que as lâmpadas
aqua-glo são satisfatórias. Porém,
como o uso de plantas não é obrigatório,
e dependendo da quantidade de luz ambiente que um
aquário recebe, nem sempre é necessário
usar iluminação especial. Em relação
aos aquários sem plantas, é até
possível não utilizar cascalho no fundo,
deixando o aquário direto na água, ou
colocar alguma decoração no fundo, como
um tronco, ou um vaso de barro quebrado. Também
é comum encontrar aquários com plantas
artificias no lugar das naturais, que imitam muito
bem as naturais, mas não exigem cuidados específicos.
Este é um artigo produzido
por Marina Milos