João Arci Júnior
O que é mais importante em
um aquário? Ou melhor, num sistema, já
que devemos considerar o aquário e o que há
dentro dele? Vamos pensar um pouco... Escolher "os
peixes" seria óbvio, então vamos
deixar essa opção de lado. As plantas?
A temperatura? O substrato (cascalho ou areia)? A
alimentação? O pH? Enfim, temos muitas
opções de escolha, e isso daria uma
imensa discussão, certamente sem chegar a uma
conclusão. E o motivo disso é claro:
tudo tem sua importância fundamental. Mas, logicamente,
um peixe não vive fora d'água (pelo
menos não por muito tempo). Assim, antes de
mais nada, o que mais importa num sistema de aquário
é a água. "GRANDE dedução,
João!", você deve estar dizendo...
Mas o ponto onde quero chegar é o seguinte:
temos que, primeiramente, dar uma atenção
muito especial à qualidade da água.
Afinal, você e eu não gostamos de respirar
um ar poluído, rico em gás carbônico,
por exemplo! Eu vivo em São Paulo, e sei bem
do que estou falando...
Antes de nos preocuparmos com o pH
e temperatura ideal para os peixes, temos que dar
aos peixes e outros animais, condições
de viver em uma água limpa. Temos que cuidar
do esquema de filtragem. O ideal ao meu ver, para
aquários com capacidade maior a 50 litros,
é ter dois tipos de filtros: um biológico
e um externo.
Descrição:
O filtro biológico, para quem
não conhece, é composto de uma placa
perfurada, colocada abaixo do substrato. Essa placa,
em geral de plástico neutro, pode também
ser substituída por uma grade de tubos de PVC
perfurados. Em um dos cantos da placa (ou grade),
temos uma torre (plástico ou PVC), que poderá
ter uma bomba interna acoplada (a melhor opção)
ou uma pedra porosa colocada até o fundo, ligada
em uma bombinha externa. Existem filtros montados,
com a bombinha interna e tudo, se você puder
gastar um pouco mais de dinheiro ou não ter
paciência e tempo para montar um.
O filtro externo é uma espécie
de caixa, colocada por fora de um dos vidros, ligado
a uma outra bombinha. Você poderá encontrar
filtros (na maioria importados) que já vêm
com a bomba dentro, vamos dizer assim. O único
trabalho que você vai ter é ligar o filtro
à tomada. Dentro do filtro externo, existe
sempre uma camada de lã de vidro e outra de
carvão ativado.
Funcionamento:
No caso do filtro biológico,
o funcionamento é simples: o ar sugado pela
bombinha interna (ou expelido pela pedra porosa) é
tirado da parte inferior à placa "enterrada",
o que faz com que a sujeira (material orgânico)
seja atraída para baixo, ficando entre o substrato
ou logo acima dele, e não mais em suspensão
na água. Assim, com a decomposição
desse material orgânico, é criada uma
camada de bactérias entre o substrato.
O filtro externo funciona como um
sifão, com a água entrando por um lado
da caixa, passando pela lã e pelo carvão,
e saindo pelo outro lado. O princípio básico
de um filtro, portanto. Esse fluxo da água
é ininterrupto, e a capacidade de água
que passa pelo filtro vai depender da força
da bomba. O ideal é você conseguir com
que passe em duas horas, no máximo, todo o
volume correspondente ao total da água do aquário.
Por exemplo, se seu aquário tem o volume de
100 litros, você deve adquirir um filtro com
capacidade de trocar 50 litros por hora. Esses números
são empíricos, ou seja, eu supus por
minhas experiências. Caso haja algum trabalho
sobre esse assunto, eu ficaria muito feliz em tomar
conhecimento!
Função:
A camada de bactérias formada
pelo filtro biológico é responsável
pela transformação de material orgânico
em oxigênio, em linhas gerais. A descida forçada
da "sujeira" acelera a decomposição
dessa, além de retira-la do centro do aquário.
Teremos assim uma água límpida e rica
em oxigênio.
O carvão ativado do filtro
externo ajuda ainda mais nessa oxigenação,
além de purificar a água, retendo muitas
substâncias tóxicas. A lã de vidro
é responsável por reter as partículas
maiores de sujeira da água.
Tempo:
Para um filtro biológico começar
a ficar eficiente, você deveria deixa-lo funcionando
durante uma semana, antes de colocar os peixes. Coloque
as plantas, e até coloque um pouco de ração
(cuidado para não ser tachado(a) de louco,
por alimentar peixes transparentes). Não exagere,
claro!
O filtro externo já é
eficiente por natureza. Ligou, funcionou!
Muita gente já me relatou o problema de algas
no aquário. Isso realmente é um problema,
não apenas estético. O excesso de algas
retira da água elementos vitais para os habitantes
maiores do aquário. Com a inclusão do
filtro externo, eu consegui resolver 95% desse problema.
Na verdade, houve um extermínio brutal das
algas marrons que estavam se acumulando assustadoramente
no meu aquário principal. Eu tinha que fazer
a limpeza do vidro frontal a cada 10 dias, para apenas
conseguir ver meus bichinhos. Os outros vidros ficaram
totalmente marrons. Com o filtro, limpo o vidro da
frente ocasionalmente, às vezes por pura frescura,
e os outros vidros só possuem poucos focos
de algas, que parece que estão se extinguindo
no meu sistema.
Logicamente, se você tem a
incidência direta da luz do sol no aquário,
ou possuir uma iluminação especial,
as algas verdes irão superar o trabalho do
filtro. Se não for essa sua intenção,
atente para essa incidência de luz.
Se você me perguntar qual dos
dois é o principal, vou lhe responder que é
o biológico, pois simula o ambiente natural.
Não deixe nunca um aquário seu, com
mais de 50 litros, sem esse filtro. Mas também
tente colocar o externo. Na nossa tentativa de reproduzir
as condições da natureza, temos que
fazer o possível e o impossível. Isso
prova mais uma vez o quanto ela é complexa
e perfeita!
Este é um texto produzido
por João Arci Júnior
Responsável por Aquarismo Doce