Vladimir Xavier Simões
1. INTRODUÇÃO
Entre as doenças que afetam os peixes de água
doce mais temidas e menos entendidas -- especialmente
entre os aquaristas ciclidófilos -- a "hexamitose"
e o "buraco na cabeça" (BNC) possuem
vários pontos em comum, entre eles a intensidade
e "imprevisibilidade" com que atacam os
peixes. Também as causas e/ou agentes etiológicos
podem ser comuns, como pode ser verificado em determinado
número de casos.
Com esse texto, pretendemos esclarecer
do que se tratam essas moléstias, descrevendo
suas causas, seus agentes e suas relações.
Também serão abordados meios possíveis
para se tentar sua cura e profilaxia.
2. HEXAMITA / SPIRONUCLEUS
Pertencente à ordem dos Diplomonadides, os
Hexamita são um gênero de protozoários
flagelados que apresenta várias espécies,
como H. nelsoni, H. inflata, H.
salmonis, H. truttae, H. intestinalis,
entre outras, sendo as três últimas as
comprovadas como causadoras de doença em peixes.
Apesar disso, ainda não se identificou qual
dessas espécies é a responsável
pela doença em peixes ornamentais (dentre as
cinco citadas ou entre outras novas espécies
ainda não identificadas ou descritas). De fato,
as citadas são reconhecidamente causadoras
de doença em salmonídeos (trutas, salmões
etc.), mas não foram ainda identificadas em
peixes ornamentais, particularmente nos Neotropicais
(peixes tropicais e sub-tropicais do continente americano).
Figura 1:
Protozoário hexamitídeo
típico; observa-se claramente seus oito pares
de flagelos, sendo um par posterior e três pares
anteriores; sua forma vai de oval a piriforme a elipsoidal
a fusiforme.
Para fins de observação
ao microscópio: Hexamita costuma ter cerca
de 8 a 14 µm de comprimento X 3 a 10 µm
de largura; Spironucleus cerca de 5 a 11 µm
de comprimento X 2 a 5 µm de largura.
(Desenho: Vladimir Simões
- xsdiscus@terra.com.br © 2001)
.
2.1. Spironucleus
Para os peixes ornamentais Neotropicais,
porém, algumas pesquisas recentes indicam ser
outros os protozoários - não os Hexamita,
mas do gênero Spironucleus -- os verdadeiros
causadores da doença vulgarmente chamada em
aquariofilia de "hexamitose".
Spironucleus é gênero relativo
e muito parecido ao Hexamita, o que tem gerado
certa confusão na identificação
e determinação de qual dos dois gêneros
seria realmente o causador da doença. Muitos
autores chegam mesmo a contestar a existência
de um ou outro gênero, sendo comum encontrar
quem defenda a existência de apenas uma espécie
de protozoário e/ou um gênero, que estaria
então sendo erroneamente reconhecido sob dois
distintos nomes. Como se não bastasse, há
ainda certa confusão causada pelo uso de um
sinônimo, em desuso, na nomenclatura científica
dos Hexamitas, sendo comum encontrar-se referência
a ele sob a sinonímia Octomitus.
Em nosso texto, de nível apenas
amador, vamos assumir a doença por "spironucleose",
e seu agente o Spironucleus.
Com isso, buscamos também alertar que certos
tratamentos para a doença, facilmente encontrados
na literatura especializada, geralmente são
destinados para peixes de corte e/ou próprios
de água temperada ou fria, sendo esses tratamentos
muitas vezes ineficientes, outras perigosos ou inaplicáveis
para peixes Neotropicais de aquário. Além
disso, quase sempre se referem às espécies
de Hexamita, que afligem especificamente
salmonídeos (salmões, trutas) - e também
esses peixes.
2.2. Espécies Propensas
Os protozoários Spironucleus
são comumente encontrados no trato gastrointestinal
da maioria dos peixes da família dos Ciclídeos
(Cichlidae), causando maiores complicações
junto a espécies Neotropicais de porte médio
a grande (aquariofilicamente falando), como acará-disco
(Symphysodon spp.), acará-bandeira
(Pterophyllum spp.), uaru (Uaru sp.),
oscar ou apaiari (Astronotus sp.) -- embora
também afete outras espécies de ciclídeos
menos "populares" que as anteriores, como
os Geofagíneos (Geophagus sp.; "cará"
ou "papa-terra'). Embora não muito comum,
podem ainda ser encontrados causando problemas em
outros ciclídeos.
Além dos Ciclídeos,
outras famílias de peixes são mais propensas
que outras a apresentarem problemas causados por Spironucelus
ou Hexamita, mas com freqüência e gravidade
consideravelmente menores. São elas os Anabantídeos
(Anabantidae; p.ex., Colisa, Trichogaster, Helostoma
etc.) e, em menor freqüência ainda, os
Ciprinídeos (Cyprinidae; geralmente carpas,
barbos, dânios e afins); nesses últimos
pode ser mais comum Hexamita, especialmente nos peixes
de águas temperadas a frias. Vale ainda salientar
que tais protozoários podem, em tese, causar
problemas em qualquer espécie de peixe dulcícola,
seja ou não ornamental / Neotropical.
3. MECANISMO DE CONTÁGIO E CARACTERÍSTICAS
GERAIS
Grande parte do mecanismo que leva à manifestação
da doença nos peixes é relacionada a
situações de estresse constante (como
veremos, é o fator desencadeante ou agravante
da doença), uma vez que esses protozoários
(Spironucleus / Hexamita) são encontrados no
trato gastrointestinal de peixes considerados clinicamente
saudáveis, embora em menores concentrações
do que o são em peixes clinicamente doentes
ou em desenvolvimento da doença. Esses protozoários
também são encontrados vivendo naturalmente
livres na água (não são parasitas
obrigatórios), indicando que há uma
infectabilidade relativamente baixa desses seres isoladamente.
Ou seja, deve haver certas condições
prévias (coincidentes e/ou concomitantes) para
que tais protozoários consigam causar doença
3.1. Estresse
Confirmando em parte essa teoria,
nos casos clinicamente investigados e relatados são
observadas sempre situações de estresse
contínuo, prévio aos primeiros sintomas
da doença se manifestarem no peixe. Esse estresse
geralmente relaciona-se de maior ou menor forma com
parâmetros incorretos da água, geralmente
na forma de:
-- concentrações tóxicas
de amônia / nitritos e até nitratos;
-- pH extremado da água (muito ácido
ou muito básico);
-- baixa taxa de oxigênio dissolvido (anoxia
/ hipoxia "potencial");
-- temperatura muito alta ou baixa para a espécie;
-- variações extremas de temperatura
-- etc.
Outros fatores de grande importância
para o surgimento ou potencialização
do estresse também podem ocorrer isolada ou
concomitantemente entre si e/ou em combinação
aos acima citados:
a) superpopulação do
aquário;
b) alimentação incorreta: pobre nutricionalmente,
e/ou de má palatabilidade, e/ou de tamanho
inadequado etc;
c) ambientação incorreta: luz exagerada
ou insuficiente; excesso de movimentação
dentro do aquário (decorações
que se movem ou excessivamente coloridas, bolhas de
ar, vibrações exageradas etc.) ou fora
do aquário ("trânsito" de pessoas,
"acender-apagar" de luzes - do aquário,
ou ambiente, ou TV etc -- a qualquer hora etc.); decoração
incorreta, seja em excesso (os peixes não conseguem
nadar livremente) ou em falta (os peixes não
se sentem seguros, pois lhes faltam abrigos) etc;
d) companhias "inadequadas": peixes que
constantemente atacam, ameaçam, perseguem ou
perturbam outros, seja na hora da alimentação,
seja durante o dia todo, seja durante a noite etc;
e) outras causas diversas.
A ocorrência por certo período
de um ou vários desses fatores acaba, invariavelmente,
proporcionando o surgimento de estresse, que por sua
vez leva os peixes a terem suas defesas imunológicas
prejudicadas / diminuídas. Podemos dizer, então,
que o estresse, qualquer que seja sua causa, é
fator praticamente desencadeador ou que favorece fortemente
o aparecimento dessa doença - bem como de outras.
Concomitante ao surgimento desse
quadro, tais citados protozoários (Spironucleus
/ Hexamita) começam logo a se reproduzir de
maneira descontrolada no trato gastrointestinal do
peixe, possivelmente devido à sua baixa ou
lenta reação imunológica frente
tal "ataque" (ou seja, em condições
normais são as imunodefesas do peixe que controlam/
impedem a multiplicação descontrolada
desses micro-organismos -- e muito certamente de vários
outros).
3.2. Contágio
Acredita-se que o contágio
entre os peixes se dá obrigatoriamente por
via oral, seja pela ingestão de fezes contaminadas
de outros peixes, ou mesmo na ingestão direta
do protozoário. Ou seja, a contaminação
é passiva por parte do protozoário,
pois é o peixe que acaba por ingeri-lo. Essa
ingestão de fezes não é intencional,
e geralmente ocorre quando os peixes ingerem seu alimento,
que se contamina com partículas de fezes contaminadas.
Em discos isso se dá mais facilmente no "pastar"
característico dos peixes, quando procuram
alimentos junto ao fundo do aquário; em apaiarís
(ou oscar), essa contaminação pode ainda
acontecer via "iscas" contaminadas (peixes
usados como alimento vivo).
[OBS: artêmias não são
vetores para essa doença, pois são de
água salgada, onde tal protozoário não
sobrevive; ou seja, são um alimento vivo "limpo"
e seguro]
De qualquer forma, essa simples ingestão
do protozoário não está necessariamente
ligada ao aparecimento da doença, uma vez que,
conforme foi exposto anteriormente, esse protozoário
é comumente encontrado, subclinicamente, no
trato gastrointestinal de peixes considerados saudáveis
e que não apresentam nenhum sintoma da doença.
O que parece determinar o surgimento
da doença é a quantidade de protozoários.
A relação com a saúde geral do
peixe e suas imunodefesas é direta, já
que a doença só parece conseguir sobrepujar
essas imunodefesas quando as mesmas estão muito
baixas, o que ocorre geralmente em peixes debilitados
ou submetidos a estresse por longos períodos
ou de maneira constante (nesse último caso,
o período de tempo pode ser consideravelmente
menor).
.
4. DIAGNOSTICANDO A DOENÇA
Inicialmente, depois de ingeridos e instalados no
trato gastrointestinal do peixe, os protozoários
costumam atacar o intestino delgado e os cecos pilóricos,
mas em estágios mais avançados, eles
podem se espalhar por outros órgãos,
como a bexiga natatória, fígado, rins,
vesícula etc. Quando o peixe se encontra nesse
quadro (mais avançado), o tratamento se verifica
quase sempre muito mais difícil ou até
impossível, e as taxas de mortandade costumam
ser muito altas.
Figura 2:
Visão de protozoários
hexamitídeos típicos sob o microscópio;
note a alta concentração dos mesmos.
Nesse tipo de análise, o movimento irregular
- rápidos avanços e paradas intermitentes
- é característica importante para a
determinação correta desses parasitas.
Para efeito de escala, cada hexamitídeo apresenta
tamanho de aproximadamente 15 µm.
(Desenho: Vladimir Simões - xsdiscus@terra.com.br
© 2001)
Ainda nos estágios iniciais
da doença, o peixe apresenta um quadro geral
de desnutrição e fraqueza geral (caquexia),
gastroenterite e peritonite (inflamação
do peritônio [peritônio é a membrana
que recobre a parede da cavidade abdominal, envolvendo
as vísceras dos animais] ).
Em peixes ornamentais é muito
comum a manifestação da doença
associada a outros parasitas (p.ex. os vermes Capillaria,
que são parasitas comuns de Pterophyllum
spp. [acará-bandeira]), ou agentes patogênicos
oportunistas, como bactérias, particularmente
devido à queda das imunodefesas do peixe.
Como veremos adiante (tópico
5) a origem do BNC também se relaciona diretamente
a causas não-patogênicas e/ou patogênicas
que causam a depressão do sistema imunológico
dos peixes; entre as causas patogênicas, um
considerável número de casos vem a ser
a própria spironucleose.
4.1. Diagnóstico por características
externas visíveis
Como características físicas
e comportamentais normalmente apresentados por peixes
que sofrem de spironucleose, podemos citar:
OBS: sendo sempre os sintomas do
grau de gravidade da doença, respectivamente:
(a) mais avançado; (e) menos avançado
I - complicações na
alimentação:
(a) O peixe não mais se alimenta,
chegando a recusar ou ignorar completamente a comida
(mesmo alimentos vivos "irresistíveis"
como artêmias vivas);
(b) O peixe ainda tenta abocanhar a comida, se dirige
a ela normalmente, como se fosse comê-la normalmente,
mas em um último instante "muda de idéia"
e a evita;
(c) O peixe ainda abocanha a comida, tenta mastigá-la
e acaba por cuspi-la, fazendo isso algumas vezes repetidamente,
sem chegar a conseguir, de fato, comê-la.
II - complicações na evacuação:
(a) O peixe para completamente de
evacuar;
(b) O peixe evacua fezes longas e finas como "fios
de cabelo", sempre com cor esbranquiçada
ou quase transparente, e que ficam aderidas a seu
ânus por bastante tempo, mesmo quando o peixe
nada.
III - complicações de comportamento:
(a) O peixe passa a ficar letárgico,
permanecendo muito tempo parado numa mesma posição,
geralmente perto das regiões mais profundas,
escuras e posteriores (a "traseira") do
aquário, e como que "olhando" para
a parte posterior do aquário;
(b) Dependendo do estágio (mais avançado)
da doença, ele não reage mesmo às
"bicadas" ou presença de outros peixes
(não foge nem os enfrenta), como se estivesse
"em transe".
IV - complicações físicas (apresentado
abaixo sem ordem de gravidade):
-- Emagrecimento do peixe, pois devido
à recusa em alimentar-se, o peixe vai ficando
cada vez mais magro e debilitado em sua saúde
geral;
-- Possível empalidecer (esmaecimento
das cores) ou escurecimento constante;
-- Recolhimento ou diminuição
na "abertura" das nadadeiras, que passam
a ficar "fechadas" ou semi-abertas;
-- Possível dilatação
abdominal, causada por retenção de fluidos
(inflamações -- infecciosas ou não);
-- Várias outras complicações
gerais de saúde, devido a parasitas e doenças
oportunistas (degeneração de nadadeiras,
fungos, feridas várias, inchaços pelo
corpo, perda de equilíbrio etc);
-- Primeiros sintomas de BNC (ver
tópico 5, logo abaixo).
Desses sintomas, os mais evidentes, e geralmente os
primeiros a serem percebidos, são aqueles relacionados
à alimentação e a evacuação.
Porém, nem sempre a verificação
de apenas um dos sintomas significa que o peixe esteja
doente. Por exemplo, muitas vezes os peixes podem
evacuar de maneira semelhante à descrição
para peixes doentes, sem necessariamente apresentarem
problemas de alimentação; pode ser que
outros problemas gastrointestinais (infecções,
problemas na digestão de alimentos inadequados
etc) estejam levando a grandes produções
e perda de muco intestinal.
Outras vezes, os peixes podem se
alimentar de maneira semelhante a peixes doentes (cuspindo
o alimento), sem no entanto estarem doentes; podem
ser apenas problemas de adaptação ao
alimento (má palatabilidade), alimentos estragados
ou inadequados à espécie, ferimentos
e/ou inflamação e/ou infecção
na boca ou laringe etc.
Quando o peixe está realmente
doente de spironucleose, o que se verifica, via de
regra, é a manifestação conjunta
de ao menos dois ou mais dos sintomas acima descritos.
5. SÍNDROME DO BURACO
NA CABEÇA E LINHA LATERAL (DÚLCICOLA)
O "buraco na cabeça"
(BNC) não é uma doença, já
que não foi possível, até o momento,
determinar ou identificar um agente causador para
tal moléstia. Assim sendo, o correto é
designá-la como síndrome idiopática
(sem agente definido/conhecido) - ou simplesmente
"Síndrome Dulcícola do Buraco na
Cabeça e Linha Lateral".
Costuma manifestar-se de forma mais
comum em discos (Symphysodon sp.), apaiaris ou oscars
(Astronotus sp.), Uaru sp. e demais ciclídeos
Neotropicais de médio a grande porte, embora
demais espécies, gêneros ou famílias
possam ser igualmente afetadas.
5.1. Diagnóstico
Figura
3:
Astronotus ocellatus com
sintomas iniciais de BNC; note os primeiros grupamentos
de pequenos orifícios (3) próximos entre
si e na região adjacente à linha lateral
na região da cabeça (4); observe também
a diferença desses com o orifício nasal
(2) [obs: narina desenhada fora de proporção].
Também pode ocorrer erupção de
feridas ao longo da linha lateral no corpo (1), embora
isso seja mais raro ou ocorra em estágios mais
avançados; note ainda como a linha lateral
é dividida tanto no corpo (1) como em sua porção
final sobre a região da cabeça (4).
As características gerais
são a despigmentação de áreas,
quase sempre nas regiões ao lado da cabeça,
e/ou o surgimento de pequenos orifícios, geralmente
muito pequenos e rasos em suas fases iniciais, via
de regra próximos ou sobre a linha lateral
que se extende na cabeça do peixe. Esses orifícios
costumam aparecer, inicialmente, agrupados, pouco
profundos, e às vezes já com alguma
formação pustulenta visível em
seu interior, mas ainda interno à ferida (não
há projeções / "corrimento").
Muitas vezes se manifesta de forma
simétrica na cabeça e/ou na linha lateral
(geralmente também em sua extensão na
cabeça) do peixe (vide Fig. 3). Podem ainda
ocorrer próximos aos olhos, geralmente acima
ou abaixo desses (Fig. 3). Vale alertar aqui para
que não se confunda tais sintomas com as aberturas
nasais dos peixes.
Figura
4: Estágio avançado do BNC.
Note as diferentes formas das projeções
pustulentas: (1) globulosas; (2) cilíndricas;
ou (3) iniciando-se, quando se apresentam apenas preenchendo
a ferida sem muita projeção exterior,
assumindo quase sempre, nesse estágio, forma
hemisférica ("botão" de pus)
-- sempre a partir das feridas ("buracos")
formados a partir da junção dos iniciais
pequenos grupamentos de orifícios (Fig. 3).
A moléstia, ao avançar,
passa dos sintomas iniciais a apresentar verdadeiros
"buracos" - daí o nome popular da
moléstia. Nesse estágio, quase sempre
ocorre também verificação da
presença, em maior ou menor grau, de substância
esbranquiçada semelhante a pus preenchendo
os "buracos", ou mesmo projetando-se deles
-- sob forma "cilíndrica", "de
linha", ou na forma de "glóbulos
superpostos" (como uma "couve-flor")
ou forma "esponjosa". Essa substância
é tida, por alguns pesquisadores, como altamente
infectante, já que em sua visão prováveis
patógenos causadores da doença estariam
contidos nessa substância.
Os "buracos" tendem a continuar
aumentando ainda mais de tamanho e profundidade, produzindo
feridas verdadeiramente grandes (crateriformes), e
sempre à mercê de infecções
secundárias por bactérias, fungos ou
protozoários (Fig 4); muitas vezes são
essas próprias infecções oportunistas
secundárias que acabam por se transformar na
causa mortis principal.
5.2. Origem da Moléstia
Não há nenhum indício
ou agente absolutamente certo ou definido que possa
ser apontado como causador ou origem para essa moléstia.
Apesar de que várias causas sejam freqüentemente
apontadas por diversos autores, há praticamente
apenas um ponto comum em todas as teorizações
e relatos: a relação direta entre o
surgimento da moléstia e a exposição
do peixe a situações de estresse prolongado
(ver tópico 3.1.).
Uma hipótese de muitos autores
relaciona a origem da moléstia a uma infecção
intestinal latente por Spironucleus, concomitante
ou não a infecção intestinal
por outros flagelados, e prévia ao surgimento
dos primeiros sintomas do BNC. Essa infecção
passaria, posteriormente, para outros órgãos
do peixe (bexiga natatória, rins, fígado)
e cavidade peritoneal, extendendo-se numa etapa ainda
posterior até a linha lateral e sistema nervoso
central do peixe.
Outras teorias baseiam-se em prováveis
deficiências alimentares, especialmente por
carência de certos minerais e vitaminas (cálcio,
fósforo e vitamina D), sempre devido à
inadequação do alimento em relação
à espécie de peixe, ou pelo uso limitado
a uma única ou poucas fontes de alimento -
p.ex., uso constante de uma única marca de
ração. Outra causa ainda relaciona tal
desequilíbrio mineral do peixe às infecções
por Spironucleus / flagelados, os quais perturbariam
a capacidade normal de absorção intestinal
desses minerais / vitaminas, afetando assim o sistema
ósseo (esqueleto) do peixe, e, conseqüentemente,
proporcionando o surgimento do BNC.
Ainda devemos citar que tal moléstia
ocorre com maior freqüência em peixes em
idade avançada (e maiores em tamanho), o que
pode ser tido como evidência de forte relação
com a queda de eficiência do sistema imunológico
-- todo ser vivo apresenta essa característica
diminuição da imunocompetência
ligada ao avançar da idade / envelhecimento.
Existem ainda teorias "populares"
sem a menor evidência ou fundamento científico,
as quais nem vamos relacionar. É importante
ainda frisar que essa é uma moléstia
que, apesar de relativamente comum, não foi
ainda profundamente estudada, sendo que a quase totalidade
de seus registros descritivos tem origem na literatura
aquarística popular - até o presente
momento, ainda não há estudos científicos
publicados sobre o tema.
Porém, em nossa prática,
temos observado que praticamente todos os casos em
que surge o BNC houve previamente exposição
por longo tempo do peixe a água de má
qualidade, sempre com níveis além do
tolerável de subprodutos metabólicos
orgânicos, em particular, amônia (NH3
/ NH4). Ou seja, é o estresse a médio/longo
prazo incompatível com a manutenção
de boa saúde. Isso é praticamente um
segundo ponto comum à maioria dos autores e
relatos da moléstia.
Acaba, porém, se configurando
um verdadeiro problema afirmar isso, porque a maioria
dos aquaristas não costuma admitir que seu
aquário está com problemas em relação
à qualidade da água. Infelizmente, posso
dizer que em 99% dos casos onde tal moléstia
manifesta-se, a água do tanque / aquário
está / estava -- há um bom tempo --
de alguma forma imprópria para os peixes. Compete
ao aquarista que enfrenta o problema ter maturidade
e autocrítica, e buscar a solução
concreta para seus problemas, mesmo que isso envolva
admitir que algo não está corretamente
dimensionado em seu aquário e/ou prática
aquarística.
6. TRATAMENTOS
6.1. Tratamentos para spironucleose
A droga a ser utilizada no tratamento é o metronidazol,
encontrado comercialmente (em farmácias) sob
o nome comercial Flagyl / 400mg, (® laboratórios
Rodhia). É necessário esmagá-lo
previamente ao uso, deixando-o todo na forma de pó;
esse deverá sempre ser dissolvido em água,
previamente à aplicação no aquário.
Sempre que o peixe tolerar temperaturas
mais altas, a mesma deve sempre ser lentamente aumentada
até 34°C ou o mais próximo possível
disso (o máximo tolerado pela espécie),
pois com temperaturas menores que 32°C dificilmente
qualquer tratamento funcionará. No caso de
discos (Symphysodon sp.), a temperatura pode ser levada
até (o máximo de) 35°C sem medo,
pois tais peixes toleram-na perfeitamente bem.
6.1.2. Tratamento 1: se o seu peixe ainda estiver
se alimentando.
Nesse caso, o ideal é acrescentar
a droga no alimento, o que será mais fácil
se o mesmo for tipo "patê" (tipo "beefheart").
As doses da droga são as seguintes (escolha
a que se adequa melhor ao "seu" caso):
a) 250mg da droga para cada 100 g
de alimento em pasta ("beefheart") ou vivo,
2 X ao dia, por 10 dias;
b) 250mg da droga para cada 20 g de alimento seco,
2 X ao dia, por 10 dias;
c) Peixes pequenos vivos (útil no caso de Astronotus
sp.): injete com seringa, no peixe que vai servir
de alimento, 0.01mg da droga para cada 10 g de peso
vivo do peixe doente; essa dose 2 X ao dia, por 10
dias.
d) Artêmias "carregadas": coloque
artêmias adultas vivas em solução
aquosa a 1% de metronidazol, por cerca de 3 a 4 horas
na geladeira; depois desse prazo, capture as artêmias
ainda vivas, e forneça-as imediatamente aos
peixes, sem lavá-las, 1 X ao dia, durante 3
a 7 dias.
Cada dose de alimento deve corresponder
a um mínimo de 1% do peso vivo do peixe (ou
possuir um mínimo de 0,25 a 1% de metronidazol).
Uma regrinha comum não muito exata, mas prestativa,
é fornecer quantidade aproximada ao tamanho
do olho do peixe. Deve-se alimentar o peixe com essa
alimentação medicada até que
ele ingira a quantidade diária mínima
da droga, e só depois se pode complementar
sua alimentação, no restante do dia,
com outros alimentos.
6.1.3. Tratamento 2: se o peixe não
estiver se alimentando.
Essa costuma ser a situação
mais comumente enfrentada. Nesse caso, o tratamento
será mais difícil, pois a droga terá
de ser acrescentada à água, em dose
de ~15mg para cada litro de água.
Atenção: cada comprimido
de Flagyl pesa 600mg totais, mas apenas 400mg são
do princípio ativo; considere isso ao calcular
a dose, que geralmente fica em 1 comprimido para cada
25-30 litros de água (já considerado
apenas o princípio ativo).
O tratamento deve ser conduzido isolando-se
o peixe obrigatoriamente em aquário-hospital.
|
Montando
Aquário-Hospital
Esse aquário
NÃO deve ter
--substrato
-- plantas
-- decorações
-- filtragem com carvão..
Pode-se colocar
alguma rocha inerte, ou tubos plásticos
inertes (p.ex., PVC) para minimizar o estresse
dos peixes, fornecendo-lhes abrigo / esconderijos.
Deve ter obrigatoriamente:
-- aeração com pedra porosa (que
deve ficar funcionando ininterruptamente 24
horas ao dia)
-- termostato, aquecedor e termômetro
--... e água, claro...
Pode ter filtragem biológica até
o momento em que se aplique medicação
que afete as bactérias nitrificantes;
nesse caso, o filtro deve ser retirado anteriormente
à essa aplicação.
O volume pode ser
pequeno, entre 20 e 40 litros é o suficiente
e bastante prático, pois facilita as
trocas de água, bem como exige menores
quantidades de remédios (mais econômico,
pois alguns remédios são relativamente
caros). |
Troque
diariamente um mínimo de 50% da água
desse aquário hospital, embora o ideal
e recomendado sejam 100%.
Ao acabar a troca, deve-se redosar a proporção
perdida da dose inicial da droga -- ou seja,
a cada troca diária de água, deve
ser redosada quantidade da droga na proporção
do volume retirado: se a troca for de 100% da
água, 100% da dose original da droga
devem ser repostos; se for 50% da água,
50% da dose da droga; e assim por diante.
O período
de tratamento é de 10 a 15 dias, quando
ele deve voltar a comer e defecar normalmente
-- esses são os sinais esperados para
confirmar que o tratamento foi bem-sucedido.
É interessante
tentar, a partir do quinto dia de tratamento,
alimentar o peixe com artêmias adultas
vivas; se ele comê-las, será ótimo,
pois vai ajudar muito em sua recuperação.
Acontecendo
isso, devemos então manter essa alimentação
diariamente. Caso ele não as coma, devemos
retirar as artêmias antes que elas morram
e comecem a se decompor; voltaremos a oferecê-las
ao peixe novamente nos dias subseqüentes.
Isso vale para qualquer outro alimento colocado
no aquário: deve ser retirado imediatamente
se o peixe não o comer. Via de regra,
não se alimenta o peixe durante esse
tipo de tratamento, mas isso não é
algo obrigatório, desde que se cuide
da perfeita qualidade da água. |
Após o tratamento, tente alimentar
o peixe (caso ainda não esteja comendo) com
alimentos vivos "limpos" como artêmias
adultas (preferencialmente vivas, mas pode ser das
congeladas), minhocas picadas, enquitréas,
"blood-worms". Não dê alimentos
como tubifex ou vermes negros ("blackworms"),
pois podem conter agentes patogênicos que re-infectariam
o peixe, aproveitando-se de seu estado recente de
pós-convalescença. Dáfnias ou
larvas de mosquito podem ser oferecidas, mas não
é recomendável, ao menos nesse estágio.
Não desanime, pois pode ser
difícil "convencer" peixes recem-tratados
ou em tratamento a se alimentar novamente. Caso ele
não se alimente no prazo máximo de uma
semana após o fim do tratamento, aplique novo
tratamento, procurando aumentar em cerca de 10 a 20%
a dose da droga, e/ou aumentando um pouco mais a temperatura
(Atenção: não ultrapasse nunca
os limites tolerados pela espécie, ou de maneira
geral, 35°C).
Se os outros peixes apresentarem
sintomas semelhantes (veja o item 4.1 acima), é
recomendável que sejam postos também
em tratamento, especialmente se esses também
forem ciclídeos.
6.2. Tratamento para o "buraco na cabeça"
(Síndrome Dulcícola do Buraco na Cabeça
e Linha Lateral)
Como já vimos no tópico 5, o BNC não
pode ser apresentado como doença, pois não
há agente patógeno descrito como seu
causador. Portanto, igualmente não se pode
apontar um tratamento medicamentoso único para
o BNC. Qualquer tentativa de cura envolve obrigatoriamente
o diagnóstico mais completo e apurado possível
das possíveis causas de depressão do
sistema imunológico do peixe. Ou seja, devem
ser feitos uma extensa e meticulosa investigação
de sintomas físicos e comportamentais do peixe,
como também o levantamento de dados sobre a
manutenção do aquário e qualidade
da água, bem como os cuidados gerais com o
peixe, especialmente sua alimentação
e conforto.
Devemos ainda levar sempre em consideração
as altas taxas de ocorrência prévia ou
simultânea de spironucleose, diagnosticando
se há ou não ocorrência dessa
infecção; caso positivo, tratar de acordo
ao apresentado acima.
Outras causas relativamente comuns
podem estar associadas, pois paulatinamente minam
a resistência do peixe:
· verminoses (Capillaria,
nematóides etc);
· parasitas epidérmicos e/ou das guelras:
copépodes (Lernea; Argulus), vermes (Dactylogyrus
/ Gyrodactylus);
· outras doenças comuns, como íctio,
veludo etc;
· infecções brandas;
· estresse: ver item 3, seções
a, b e c.
A partir do surgimento das lesões,
várias outras doenças oportunistas podem
- e costumam - surgir, em particular as infecções
secundárias dos próprios "buracos".
Tais infecções costumam ser geralmente
de origem bacteriana, portanto o uso (geralmente tópico)
de antissépticos e/ou de antibióticos
(mercúrio-cromo, Rifocina spray ®, Povidine
®, Betadine ®, permanganato de potássio,
etc.) se faz quase sempre necessário nesses
casos.
Para tratar topicamente, fica claro
que os peixes devem ser capturados com rede - o que
não deixa de ser um tratamento bastante estressante...
Por isso, deixe tudo já pronto para a aplicação,
diminuindo assim o tempo de "aprisionamento"
e hipoxia do peixe na rede.
Depois de capturado com a rede, inicialmente
limpe suavemente a ferida com um cotonete, de preferência
embebido apenas em água esterilizada (fervida),
procurando retirar a substância pustilenta.
Depois, pincele a ferida com outro cotonete, embebido
com qualquer um dos supracitados antissépticos
/ antibióticos.
Na reaplicação, deve-se
tomar muito cuidado para não usar de força
desmedida, pois podemos acabar removendo as novas
camadas de tecido epitelial cicatrizante. Em outras
palavras, se não tomarmos cuidado, podemos
acabar aumentando constantemente a lesão, ao
não permitir sua perfeita cicatrização.
Então, nas reaplicações a melhor
técnica é apenas encostar o cotonete
embebido na droga escolhida sobre a ferida, e deixar
que essa escorra naturalmente pela área afetada.
Não se deve esfregar, raspar ou fazer demais
movimentos na aplicação com cotonete.
Se estiver difícil a cura
da ferida, pode ser acrescentado um pouco de sal não-iodado
à água do aquário hospital, na
proporção de 1g para cada 1 ou 2 litros
de água.
Em casos de múltiplas feridas
infeccionadas e/ou infecção "secundária"
generalizada no peixe, podemos partir para um tratamento
específico à base de antibióticos.
A abordagem preferida será a administração
da droga via oral; caso o peixe não mais se
alimente normalmente, recorreremos então à
imersão prolongada (nesse segundo caso, imprescindivelmente
em aquário-hospital).
Para isso, as drogas de preferência
serão os antibióticos a seguir (embora
outros não citados também possam ser
usados com sucesso):
-- oxitetraciclina / tetraciclina:
> Oral: de 50 a 100mg misturados
a cada 1 Kg de alimento, alimentando um mínimo
de alimento medicado equivalente a 1% do peso do peixe
diariamente, por cerca de 10 a 21 dias;
> Imersão prolongada: de
10 a 100mg por litro de água, dose única,
tratando por 1 a 3 dias; se o peixe continuar doente
após 3 dias, troque mínimos 50% da água,
aplique nova dose e aguarde mais 3 dias. [OBS 1: evite
qualquer iluminação / luz sobre o aquário,
pois esse medicamento pode ser foto-inativado; OBS
2: águas duras demandam doses maiores da droga]
Nota importante: as tetraciclinas são passíveis
de foto-decomposição, tornando-se altamente
tóxicas, inclusive ao aquarista; se for verificada
mudança na coloração da água,
do leve amarelado inicial (cor obtida logo após
a aplicação) para algum tom mais alaranjado
/ amarronzado, troque imediatamente no mínimo
50% ou mais da água, se possível 100%;
use luvas e não deixe a água entrar
em comtato com sua pele; e mantenha observação
constante aos peixes tratados sob esse regime]
-- nifurpirinol (Furanace ®):
> oral: má-palatabilidade,
não indicado;
> imersão prolongada: 0,10mg por litro de
água, dose única, tratando por 3 a 5
dias; se necessário, aplique novo tratamento
imediatamente após o primeiro.
-- eritromicina:
> oral:
a) 100mg misturados a cada 1 Kg de alimento, alimentando
um mínimo de alimento medicado equivalente
a 1% do peso do peixe diariamente, por cerca de 10
a 21 dias;
b) 25 a 50mg misturados a cada 1 Kg de alimento, alimentando
um mínimo de alimento medicado equivalente
a 1% do peso do peixe diariamente, por cerca de 10
a 21 dias;
.
7. CONSIDERAÇÕES
FINAIS: PROFILAXIA
Diz um velho ditado: "Melhor
prevenir que remediar".
A cura de um peixe é, quase
sempre, algo difícil, caro e trabalhoso. Além
disso, e de maneira muitas vezes frustrante e dolorosa,
o índice de sucesso obtido nos tratamentos
não é nada alto, já que quase
sempre a manifestação externa e "visível"
da maioria das doenças coincide por se dar
em fase em que tratamentos e cura são muito
difíceis ou quase impossíveis. Outros
tratamentos envolvem uma dedicação de
tempo e investimento que nem todo aquarista pode dar
aos seus peixes.
Portanto, fica claro que mais vale
evitar o surgimento das doenças que tentar
curá-las. Esse assunto por si envolve tantas
questões que poderíamos fazer outro
texto específico apenas abordando-as; entretanto,
faz-se necessário, aqui, uma abordagem sucinta
sobre o que fazer profilaxicamente para evitar essas
(e outras) doenças em nossos aquários.
Basicamente, são três
regras fundamentais: manutenção da qualidade
da água do aquário; manutenção
da saúde do peixe; e quarentena de novos habitantes.
A manutenção da qualidade
da água é fator primordial e imprescindível
para a manutenção da própria
vida no ambiente do aquário. As ações
relacionadas com isso já são bem conhecidas:
filtragem adequada e bem mantida; trocas regulares
e freqüentes da água; controle da população
de peixes e sua respectiva alimentação
etc.
A manutenção da saúde
do peixe relaciona-se diretamente com manutenção
da qualidade da água, e além disso envolve,
basicamente, evitar o estresse e a boa alimentação.
A quarentena é um dos fatores
mais negados, minimizados ou negligenciados em sua
importância. De maneira resumida, vale dizer
que mais de 60% das doenças comuns em aquário
podem ser totalmente evitadas apenas com a quarentena
eficiente de peixes e plantas -- objetos inanimados
podem ser esterilizados, sempre que possível
via fervura.
Para a profilaxia específica
do BNC, basta cumprir o acima exposto. Para a spironucleose
pode-se dizer o mesmo. Para ambas, é certo
que apenas na depressão do sistema imunológico
do peixe é que se verifica a reprodução
descontrolada dos parasitas intestinais.
O importante é evitar sempre
acúmulos de matéria orgânica que
potencialmente venha se decompor na água, especialmente
aqueles de origem animal - ou seja, fezes e restos
alimentares. Esses materiais são propensos
a servirem de meio de contágio, já que
podem ser ingeridos pelos peixes. Além disso,
também servem de meio para a reprodução
não só de protozoários flagelados,
mas de inúmeros outros patógenos - bactérias,
fungos, outros protozoários etc. Portanto,
são ações importantes na profilaxia:
a sifonação periódica do substrato
do fundo, caso use FBF; ou a sifonação
direta -- e se possível diária -- de
fezes e restos alimentares; adequação
no número de peixes, evitando a superpopulação;
e também a adequação na quantidade
de alimento fornecido diariamente, evitando-se a superalimentação.
Concluindo, podemos dizer que, mantendo
o aquário e os peixes em "boa saúde",
dificilmente teremos que enfrentar essas moléstias
- e muitas outras mais. Por isso a insistência,
nos fóruns ou listas de discussão, manifestada
sempre pelos aquaristas mais experientes em sempre
buscar o equilíbrio natural do aquário:
em um aquário equilibrado, as doenças
raramente "tem vez"...
AVISO: Apesar de
ter escrito esse trabalho dentro de um espírito
da maior boa-fé, não posso e não
assumo qualquer responsabilidade ou garantia na utilização
de qualquer informação aqui contida,
uma vez que o ambiente aquarístico e os peixes
sob essa condição apresentam características
absolutamente dinâmicas, complexas e imprevisíveis,
sendo por isso impossível determinar regras
infalíveis nesse campo.
Artigo e desenhos de Vladimir
Xavier Simões