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  A FOTOSSÍNTESE: Fatores que influenciam o processo  

Ronaldo Hilgert

A FOTOSSÍNTESE

Todo mundo já ouviu falar que as plantas obtém a sua energia através da fotossíntese. A fotossíntese é um dos mais importantes fenômenos da biologia, e tem importância não só para as plantas mas para todos os seres vivos da Terra. A constante "purificação" do ar atmosférico, dele retirando o dióxido de carbono (CO2) e a ele devolvendo oxigênio livre (O2), garante a nossa respiração, mas vamos falar apenas da importância para as plantas, que é o nosso caso no aquarismo.

A fotossíntese se passa em duas etapas, chamadas de fase luminosa e fase escura. A primeira depende da luz, a segunda ocorre mesmo no escuro. Durante a fase luminosa têm intensa participação as moléculas de clorofila — clorofila é o principal pigmento das plantas com capacidade de "reter" a energia da luz. Na segunda etapa, que pode ocorrer mesmo sem a presença de luz, a glicose será formada, energia vital para as plantas. Passamos ao processo detalhado, mas se você quiser pular esta parte, recomendo que vá direto para "Fatores que influenciam a fotossíntese", mais em baixo.

A fase luminosa

Quando a planta é submetida à ação da luz, a energia luminosa ativa as moléculas de clorofila, e então se inicia a fase luminosa, que compreende dois fenômenos que ocorrem paralelamente: A fotofosforização cíclica e a fotofosforização acíclica.

Na fotofosforização cíclica, uma molécula de clorofila A ativada pela descarga de fótons perde um elétron, que ficou "excitado", isto é, teve seu nível energético aumentado. Esse elétron é recolhido pela ferridoxina, substância que serve como transportadora de elétrons - daí a função do ferro nas plantas. A ferridoxina transfere o elétron para uma cadeia de proteínas. O elétron fica passeando "de mão em mão" nessa cadeia, perdendo o excesso de energia que possuía até voltar ao seu potencial energético normal, e então volta para a molécula de clorofila A. Por isso é chamado de cíclico. A energia desprendida pelo elétron durante seu passeio é aproveitada pelas moléculas de ADP que, com essa energia, podem associar-se a um radical fosfato (fósforo orgânico), transformando-se em ATP. Essas reações exigem a presença de íons de magnésio como catalisadores. O fosfato também é fundamental nessa etapa, mas em qualquer aquário em que existam peixes os níveis de fosfato serão suficientes para as plantas; seu excesso, no entanto, favorece a proliferação das algas - a quantidade que a planta precisa é mínima. A clorofila possui magnésio em sua fórmula química, além de nitrogênio, oxigênio e carbono.

Enquanto ocorre a fotofosforização cíclica com as moléculas de clorofila A, as moléculas de clorofila B executam a fotofosforização acíclica. Quando ocorre a descarga de fótons, um elétron da clorofila B fica com seu nível energético aumentado, pulando para fora da molécula de clorofila, sendo recolhido por uma substância chamada plastoquinona. A plastoquinona imediatamente o transfere a uma cadeia transportadora de elétrons, como vimos na fotofosforização cíclica, mas ao invés de retornar para a clorofila B, será entregue a uma molécula de clorofila A que no momento se encontra oxidada, isto é, sem o elétron que está "passeando". Durante esse passeio do elétron, ele perdeu a energia que possuía, que fica armazenada pelas moléculas de ATP, que se formam pela combinação de ADP com o radical fosfato. O elétron recolhido pela clorofila A é entregue a uma molécula de ferridoxina que o passa para uma molécula de NADP que pode receber dois elétrons, passando para NADP reduzido. Então, o elétron que saiu da clorofila B não voltou mais a ela, e nesse ponto ocorre mais uma "novela". Uma pequena quantidade de luz provoca a decomposição das moléculas de água que se quebra nos íons H+ e OH-. Um átomo de hidrogênio tem apenas um elétron e um próton. Os prótons (íons H+) serão recolhidos pelas moléculas de NADP reduzido. Os elétrons que vieram dos átomos de hidrogênio serão recolhidos pela clorofila B, que estava até agora oxidada, quer dizer, sem o elétron que perdeu. Nossa! O elétron que a clorofila B recebeu não foi o mesmo que perdeu, mas tudo bem... E os íons OH- ? Cada grupo de quatro deles se organizam naturalmente formando duas moléculas de água e uma de oxigênio livre, que é exatamente o oxigênio liberado. Esse que o peixe respira! Resumindo, durante a fase luminosa, é liberado o oxigênio e formado o ATP e o NADPH2 que são de fundamental importância para a fase escura.

A fase escura

Na fase escura, o dióxido de carbono (CO2) e a água deverão reagir com um composto existente no interior das células das plantas, o RDP. Se ocorrer essa reação, serão formadas moléculas de aldeído fosfoglicérico, que originarão a glicose, mas para esta reação acontecer, é necessário que aja energia e a redução do CO2. O ATP formado na fase luminosa fornece a energia, e o NADPH2 reduz o CO2. Se tudo der certo, seis moléculas de CO2 e seis de água deverão reagir com seis moléculas de RDP, formando 12 moléculas de aldeído fosfóglicérico (triose). Duas moléculas de triose combinam-se entre si, formando uma molécula de hexose (frutose 1-6 fosfato). A seguir, se transforma num isômetro (glicose 1-6 difosfato). Depois, só falta a glicose 1-6 fosfato descartar dois radicais fosfato que estão ligados a ela para chegar ao produto final da fotossíntese: A glicose. Mas os produtos finais da fotossíntese não se limitam à glicose; incluem também gorduras, ácidos graxos, aminoácidos e ácidos carboxílicos.

Isso dá para ter uma idéia do trabalhão que a plantinha tem para produzir o seu alimento e o nosso oxigênio!

 

FATORES QUE INFLUNCIAM A FOTOSSÍNTESE

- A velocidade com que ocorre a fotossíntese depende dos seguintes fatores:

- Intensidade luminosa que atinge a planta.

- Quantidade de CO2 disponível.

- Temperatura.

- Minerais.

Mesmo que três fatores estejam com valores satisfatórios, se o quarto não estiver, o faltante agirá como "fator limitante", impedindo que a fotossíntese ocorra com intensidade máxima.

Como todo ser vivo, a planta também respira. Pela respiração, ela também consome oxigênio. Exatamente o contrário do que faz pela fotossíntese. Uma planta mantida na ausência de luz não realiza a fotossíntese, mas consome oxigênio. Então, a planta consome mais oxigênio do que libera, mas se formos aumentando gradativamente a luz, a fotossíntese será estabelecida até sua intensidade superar a da respiração.

A partir de certa intensidade luminosa, a velocidade da fotossíntese não aumenta mais, chegando ao ponto de saturação. Aumentando a concentração de CO2, chegará até determinado limite, e daí por diante não haverá aumento da fotossíntese e se a concentração de CO2 se tornar muito grande, e por conseqüência a concentração de oxigênio se tornará pequena, e a planta morrerá por falta de oxigênio. A temperatura também tem um limite de saturação, além do qual a intensidade da fotossíntese começa a cair. Os minerais mais importantes são ferro, manganês, cobre, zinco, boro, alumínio, cobalto e magnésio, entre outros. São chamados de micronutrientes e as plantas precisam deles em quantidades mínimas, mas sua carência provoca doenças nas plantas. O ferro é o elemento mais difícil de se fixar, já que se oxida com facilidade. Os outros micronutrientes serão repostos pela troca parcial da água e até pela alimentação dos peixes.

"Durante o dia a planta respira CO2 e fotossintetiza, durante a noite ela apenas respira O2"

 

O ESPECTRO LUMINOSO E SEU PAPEL NA FOTOSSÍNTESE

Como todos sabem, a luz branca resulta da combinação de radiações de diversas cores: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta. Mas nem todas essas radiações têm o mesmo efeito sobre a clorofila, portanto, nem todas agem igualmente estimulando a fotossíntese.

A absorção da luz pela clorofila se faz com intensidade máxima nas faixas de comprimento de onda de 450 nm (nanômetros, milionésima parte do milímetro), que corresponde a cor azul, e 700 nm, que corresponde a cor vermelha. A absorção da cor verde é quase nula, a clorofila reflete-a quase que integralmente e é por isso que nós a vemos dessa cor. Considerando o fenômeno da fotossíntese em termos gerais, a resposta à luz vermelha é ainda maior do que à luz azul, apesar da absorção ser maior na luz azul, isso se deve ao espectro de ação da fotossíntese que não corresponde rigorosamente ao espectro de absorção da luz pelas clorofilas.

Como isso pode ser provado?
Se um feixe de luz branca passar por um prisma se decompondo em diversas cores, e em cada cor colocarmos um vidro cheio de água, lacrado, e com uma plantinha dentro, veremos com o decorrer do tempo que as plantas submetidas às radiações vermelha e azul mostram o mais alto grau de atividade fotossintética. Isso pode ser percebido pelo tamanho da bolha de oxigênio que se formou em cada vidro.

Os pigmentos fotossintéticos presentes e a sua abundância variam de acordo com a espécie. A clorofila A está presente em todos os organismos que realizam a fotossíntese oxigênica, menos nas bactérias fotossintetizantes. A clorofila A é o principal pigmento, os outros são chamados de pigmentos acessórios. Clorofila B (ocorre nas plantas e algumas algas), clorofila C (diatomáceas e algas pardas), clorofila D (algas vermelhas) e beta-caroteno (plantas e maioria das algas), mas ainda existem outros.

Bom, eu tive que ler umas cinco vezes os textos que usei como fonte para este artigo e juro que ainda não entendi direito, mas posso dizer que estou emocionado com o trabalho das nossas "inferiores" plantinhas. A fotossíntese é uma das coisas mais admiráveis que se processam na natureza e ainda um enigma que intriga hábeis cientistas. Um dos primeiros seres que surgiram na Terra provavelmente foram as algas, que através do fenômeno da fotossíntese introduziram o oxigênio na atmosfera, fato que tornou a vida viável aqui no nosso planeta. Espero ter esclarecido alguma coisa, e se alguém tiver algum comentário, crítica ou correção, favor remeter para o meu e-mail.

 

Este é um artigo produzido por Ronaldo Hilgert
hilgert@voyager.com.br

 


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