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  PLANTAS AQUÁTICAS - SOBREVIVÊNCIA  

George Booth

As plantas têm algumas necessidades para crescer: luz, CO2, nutrientes e oligoelementos. Isto não surpreende ninguém! O que muitos não sabem é que as plantas precisam desses fatores em proporções fixas (e, infelizmente, as proporções variam de planta para planta). Por exemplo, se você tiver muita luz, CO2, nutrientes e a maioria dos oligoelementos, mas não um destes últimos em quantidade suficiente, o oligoelemento em falta determina que dada planta vai desenvolver-se mal, mesmo que outras cresçam bem. Esta é a razão porque umas plantas são mais "fáceis" do que outras - as suas necessidades em oligoelementos são vulgarmente fornecidas pela água canalizada, ou de outra fonte de abastecimento. Se as plantas não forem capazes de utilizar todos os nutrientes devido à falta de um ou mais elementos específicos, o "excesso" de nutrientes e a luz são desperdiçados e/ou aproveitados pelas algas.

De um modo geral não existem informações que digam "esta planta precisa de 'x' de luz, 'y' de CO2, 'z' de nutrientes e oligoelementos". Os aquariofilistas têm que limitar-se "ao que resulta no meu caso" após longa experiência e muitos erros. Aqueles que sigam o "Ótimo Aquário" da Dupla que tenta assegurar que todas as necessidades de todas as plantas são satisfeitas, investem muito capital em sistemas complexos.

 


LUZ

A luz é indispensável para a fotossíntese, uma vez que ela fornece a energia necessária para que se realizem as reacções químicas inerentes. As plantas usam a energia luminosa principalmente nas gamas azul e vermelha do espectro, mas um aquário é mais bonito se for utilizada uma luz de espectro completo. A intensidade luminosa e o espectro são mais importantes do que o tempo da luz. Você não ganha nada em usar lâmpadas de menos intensidade durante mais tempo. 10-12 horas por dia, é normalmente suficiente, com uma intensidade de 1,5-3 Watt por cada 4 litros de água. Em aquários de grande altura (superior a 70 cm) é necessária uma maior intensidade. É importante equilibrar a intensidade luminosa com os outros factores mencionados. Uma luz intensa é um consumo desnecessário, se não existir CO2 e nutrientes que satisfaçam as necessidades da fotossíntese.

 


CO2

O dióxido de carbono é muito importante para o crescimento das plantas. Sem as quantidades necessárias de CO2 dissolvidas, a fotossíntese não se pode realizar. A maioria dos aquários tem algum CO2 proveniente da respiração dos peixes, mas essa quantidade não é normalmente suficiente para uma vegetação luxuriante. Certas plantas não precisam de muito dióxido de carbono e até algumas como as Cryptocorynes dão-se mal com níveis elevados desse gás.

Os níveis típicos de um aquário sem injeção de CO2 estão compreendidos entre 1-3 ppm. Algumas plantas florescem com níveis de 10-20 ppm mas para isso é necessária a injeção do dióxido de carbono. Com baixos níveis de CO2 , as plantas não são capazes de aproveitar elevadas intensidades de luz e de nutrientes e quem tira partido disso são as algas.

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NUTRIENTES

Além dos "blocos" se suporte da vida existentes na água e no dióxido de carbono, i.e., o oxigênio, o hidrogênio e o carbono, dois outros importantes elementos são necessários: o azoto (ou nitrogênio) e o potássio. O azoto é fornecido em quantidades suficientes pelos dejetos dos peixes sob a forma de amônia (NH4+). A maioria das plantas prefere amônia, mas algumas usam o produto final do ciclo de nitrificação, ou seja o nitrato (NO). A amônia é preferida porque requer menos energia no seu consumo. Um bom teste dos níveis de amônia é medir os nitratos. Se os nitratos forem de 0ppm, você fica a saber que todo o azoto está a ser consumido. Isso pode indicar que algumas plantas estão carentes de azoto. Pode indicar também que foi conseguido o equilíbrio perfeito mas isso é pouco provável. O potássio (K+) é normalmente fornecido nos alimentos dos peixes. Infelizmente o potássio é difícil de medir na água. Se existirem nitratos suficientes, existe também suficiente potássio. Alguns fertilizantes incluem potássio e podem ser usados para estarmos do lado das certezas.

 

OLIGOELEMENTOS

Oligoelementos, ou elementos raros, são aqueles de que as plantas só precisam em muito pequenas quantidades para se desenvolverem. Eles são absorvidos pelas plantas na forma iônica. Os mais importantes oligoelementos são o enxofre (SO4--), o cálcio (Ca++), o fósforo (HPO4-- / H2PO4-), o magnésio (Mg++) e o ferro (Fe++). O enxofre , o cálcio e o magnésio podem encontrar-se na água canalizada. Se a água tiver uma dureza geral muito baixa (< 3 graus dH), o cálcio e/ou o magnésio podem ter um teor demasiado baixo. Tal carência pode ultrapassar-se, juntando à água sulfato de cálcio e/ou magnésio em pequenas quantidades.

A quantidade de fósforo pode também ser medido na água e devem existir em teores inferiores a 0,2 ppm de fosfatos. Se os valores de nitratos estiverem corretos os de fosfatos também normalmente estão.

O ferro pode existir na água da torneira no estado iónico correto (Fe++) mas oxida-se rapidamente numa forma não utilizável pelas plantas. Para evitar esse fenômeno, podem usar-se misturas de compostos com ferro. Essas misturas evitam que o ferro se oxide, facilitando a sua assimilação pelas plantas. A concentração de ferro deve ser inferior a 0,2 ppm.

Outros oligoelementos são necessários em quantidades extremamente pequenas e são geralmente incluídos nos alimentos para os peixes, ou em produtos especiais de adição. Note que alguns elementos raros são tóxicos exceto em quantidades diminutas e portanto a sua adição à água deve ser feita com o maior cuidado.

NOTA - A necessidade que as plantas têm dos oligoelementos confirma que não deve ser usada água desmineralizada ou destilada no enchimento dos aquários, mas só em adições parciais com propósitos determinados.

 

OUTRAS INFORMAÇÕES

Algumas plantas podem armazenar carbono, potássio, azoto, fósforo, ferro ou outros elementos raros, para posterior utilização. Isto significa que as plantas podem ter um desenvolvimento satisfatório durante um tempo, porque usam os elementos armazenados e "misteriosamente" murcham e morrem se não puderem reabastecer o seu "armazém". Isso também pode significar que certas plantas podem competir com outras na armazenagem dos nutrientes, evitando que essas outras se desenvolvam.

As mudanças de água regulares são um importante fator para manter um aquário bem plantado, uma vez que nutrientes e oligoelementos vêm na água da torneira. Recomenda-se a mudança de 25% de água em cada duas semanas.

O substrato pode desempenhar um papel importante no fornecimento de nutrientes. Estes podem ser postos no substrato quando o aquário é montado, misturando laterite (argila tropical), terra de envasar, turfa para aquário ou produtos equivalentes, colocando-os sob a camada de areão. Estes aditivos libertam alguns elementos necessários para que se mantenham no estado iônico correto. Contudo se os nutrientes não forem substituídos, o substrato fica esgotado e as plantas começam a perder o viço.

Se for usada laterite ou turfa no substrato e se fizer passar uma lenta corrente de água através dele, haverá uma propagação contínua dos nutrientes no substrato. Para esse efeito recomenda-se o uso de um sistema de aquecimento do substrato uma vez que dá origem a lentas correntes de convecção. Esses sistemas, contudo, são dispendiosos.

 

Este é um artigo de George Booth divulgado pela FAQ.
Tradução de Fernando Fonseca.




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