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Há várias
doenças conhecidas e tratáveis de peixes
ornamentais. Com o tempo, o hobbysta vai adquirindo
experiência para diagnosticá-las e tratá-las.
Mas mesmo o mais experiente criador pode ficar na dúvida
sobre os sintomas e o melhor tratamento. É fundamental
estar certo sobre o diagnóstico antes de iniciar
qualquer tratamento pois, caso contrário, a cura
pode ser mais prejudicial que a doença.
Existem doenças, como o íctio,
que podem ser combatidas apenas alterando algumas condições
da água do aquário, sem o uso de medicamentos.
Existem outras que necessitam de antibióticos
e um aquário hospital para administração
dos mesmos. Muitas doenças, aliás, a grande
maioria delas, se manifesta quando as condições
da água do aquário começam a ficar
inaceitáveis para os habitantes. Por isso, a
troca parcial de água (20%), com água
tratada, é sempre recomendada como umas das primeiras
coisas a serem feitas na iminência de qualquer
doença. Entre as coisas que eu aconselho para
a farmácia do aquarista estão diversos
itens voltados apenas para a manutenção
e melhora das condições da água.
Todo peixe é provido de um muco
protetor à volta da pele, que o torna praticamente
invulnerável a doenças ou parasitas. Quando
o seu estado geral de saúde decai, estas defesas
naturais enfraquecem e então o peixe é
vítima dos micróbios ou parasitas que
poluíam na água em sua volta. Se isso
acontece com os peixes que vivem em cativeiro, é
geralmente culpa do criador que não os alimentou
devidamente, não lhes deu a temperatura correta,
os deixou num recipiente com pouca oxigenação,
ou lhes deu, como companheiro, um peixe já contaminado.
As epidemias, quando se manifestam no aquário,
têm de um modo geral, efeitos arrasadores. A mortandade
é tremenda, a menos que se tome as providências
que cada caso requer. As doenças mais comuns
são:
ÍCTIO

Também chamada de Ictioftiríase
ou "Doença dos pontos brancos", é
provocada por um protozoário parasita chamado
Ichthyophthirius multifiliis, que ataca peixes
enfraquecidos por qualquer motivo, como por exemplo
uma descida brusca de temperatura da água ou
uma alimentação deficiente.
É uma das doenças mais
temidas pelos aquariófilos, pela rapidez com
que se propaga, podendo infectar todos os peixes de
um tanque em questão de dias. O peixe se apresenta
todo cheio de pontinhos brancos: o parasita penetra
na epiderme do peixe, onde aumenta de volume provocando
inchações pela irritação.
O peixe sacode-se, rebolando-se sem sair do lugar, perde
o colorido, fecha as nadadeiras e se esfrega nas plantas
e pedras. Quando estes sintomas se manifestam podemos
ter a certeza de que estamos enfrentando o Íctio
e que são necessárias providências
imediatas para não perdermos todos os peixes.
O parasita não pode ser combatido
dentro do peixe. Passado algum tempo, perfura a pele
e cai no fundo do aquário. É então
que devemos atacá-lo, pois se não for
atacado nessa altura, se enquistará no fundo
da areia, onde se multiplicará por divisão
e, dois dias depois, legiões de filhotes subirão
às águas procurando uma vítima
onde possam alojar-se, para alimentar-se e crescer.
A quantidade de filhotes que um Ichthyophthyrius
pode produzir por divisão é tremenda,
podendo chegar a 1200 novos parasitas. Numa água
sem peixes os parasitas morrem em poucos dias, de modo
que, se num aquário habitado, essa praga se declarar,
além das razões citadas no início,
é porque foi introduzida por algum peixe ou planta
vindos de um local com água já contaminada.
O melhor remédio é o
azul de metileno a 1%, que deve ser misturado a uma
quantidade de água do aquário que foi
posta em um recipiente com o peixe afetado, até
esta tomar uma cor ligeiramente azulada. O mercurocromo,
na proporção de uma gota para cada 5 litros,
também dá bons resultados. Repetir o tratamento
a cada dois dias, durante uma semana, deixando desligado
o filtro, se houver. Aumentar ligeiramente a temperatura
da água, pois isso encurta o tempo de permanência
no peixe, forçando-o a sair para reproduzir-se.
Na proporção indicada, o azul de metileno
é completamente inofensivo, até para os
menores peixes, parecendo que apenas afeta as plantas.
Se bem que seja, como vimos anteriormente, uma doença
muito contagiosa, não chega a causar mortes no
aquário quando controlada a tempo.

FUNGOS

Existem em qualquer água e nela
vivendo como plâncton, os esporos destes fungos
atacam peixes feridos ou enfraquecidos. Um peixe saudável
é completamente imune. Qualquer ferida deve ser
imediatamente desinfetada com mercurocromo para evitar
uma posterior invasão destes fungos. Ao atacar
os peixes, esta doença tem o aspecto de pequenos
tufos de algodão, bem brancos, pelo que é
fácil descobri-la e controlá-la logo no
início. Depois de obtida a cura, a água
do aquário deve ser trocada. O banho de sal não
deve ser desprezado.
BARBATANAS ROÍDAS

Trata-se de uma infecção
que provoca a destruição dos tecidos das
barbatanas, principalmente da caudal, onde são
mais abundantes as células cromatóforas
e os melanomas, podendo, em estado avançado,
atacar também algumas partes do corpo nas proximidades
das barbatanas. Neste caso é aconselhável
isolar o peixe. Resulta geralmente de grande quantidade
de matéria orgânica em decomposição
no aquário, o que origina uma grande quantidade
de bactérias na água. Deve-se fazer uma
limpeza no aquário e usar um desinfetante próprio
para o fim. Quanto ao peixe, é necessário
fazer uma pequena cirurgia para remoção
do tecido afetado afim de não comprometer o tecido
saudável.

HIDROPSIA

Causada por uma bactéria chamada
Pseudomonas punctata. Esta doença consta
de uma invasão dos tecidos e cavidades do corpo
por um fluido seroso, provocando a morte. O peixe fica
tão inchado que as escamas se eriçam chegando
a ficar em ângulo reto com o corpo. Como não
existe cura para esta doença e o sofrimento da
vítima é manifesto, o melhor é
acabar com a agonia do peixe. Isso se consegue, de modo
mais rápido e indolor, jogando o peixe doente
dentro de água fervente. Os peixes mais atacados
por esta doença parecem ser os Anabantídeos,
especialmente colisas e bettas. Felizmente esta doença
é pouco contagiosa.
ESCAMAS ERIÇADAS
Parecida com a doença anterior,
mas apresentando, além das escamas eriçadas,
manchas vermelhas no corpo e nadadeiras. É causada
pelo Bacterium lepidorthosae, um dos muitos
assassinos invisíveis que espreitam os nossos
aquários. O peixe atacado apresenta uma grande
aceleração na respiração
e os seus movimentos vão se tornando cada vez
mais lentos, até uma total paralisia. A morte
é inevitável e aconselhamos a terminar
com a agonia do peixe, pois não se conhece nenhum
tratamento eficiente. Uma boa desinfeção
do aquário se impõe logo em seguida.
TREMATODOS
Estes vermes, especialmente os Girodactylus
e os Dactylogyrus atacam as brânquias
dos peixes, causando uma fatal hipersecreção
das mucosas. O peixe se enfraquece, corre loucamente
pela superfície da água, respira aceleradamente
e acaba morrendo por exaustão. O tratamento deve
ser começado o mais depressa possível.
O uso do azul de metileno em quantidade que torne a
água ligeiramente azulada, tem dado resultados
satisfatórios.
Um bom tratamento, mas que terá
que ser administrado com cautela, é o envenenamento
dos Trematodos por sais de cobre. Basta introduzir um
pedaço de cobre, bem lixado, no aquário
onde estão os doentes. Deve ser retirado tão
logo se observe o desaparecimento da doença,
pois a sua prolongada permanência envenena também
os peixes.

BURACOS NA CABEÇA (HEXAMITOSE)
É
também chamada de "Doença dos Acarás"
pois geralmente só ocorre em ciclídeos
(Disco, Acará-Bandeira, Oscar, etc.). Causada
pelo protozoário flagelado Hexamita.
Ataca os órgãos internos, causando danos
que podem ser irreversíveis. Falta de apatite.
Ocorre o aparecimento de pus na região da cabeça,
geralmente na região da boca, da testa e atrás
dos olhos, em casos mais graves estende-se pela linha
lateral, primeiro o peixe se torna escuro e para de
comer, com isso perde peso rapidamente, buracos como
crateras se desenvolvem e depois de dois ou três
dias irão produzir pus, dificilmente os buracos
fecham, mesmo com a cura do peixe. Na fase final aparecem
inchações e perfuração na
cabeça e no corpo. Não é muito
contagiosa.
No tratamento, devemos utilizar rações
medicadas e medicamentos a base de Dimetridazole e Metronidazole.
Aumentar a temperatura para 32°C o que deve acabar
com o pus temporariamente, passar mercúrio cromo
no buraco também ajuda, colocar 25mg de Flagyl
para cada 30 litros da água a cada 72 horas até
a doença sumir, depois troque 70% da água
do aquário-hospital mantendo a temperatura em
32°C. Espere 2 semanas e, caso não note melhora
do peixe, repita a primeira etapa para garantir que
a doença não volte.

TUBERCULOSE
A tuberculose dos peixes é causada
pela bactéria Mycobacterium spp. O principail
sinal é o acentuado emagrecimento do peixe, que
fica com a barriga retraída, embora continue
a se alimentar. Não existe um tratamento padrão,
pois a doença normalmente é irreversível.
Temos como principal atitude a prevenção,
oferecendo no mínimo uma alimentação
variada e de boa qualidade, caso seja identificada a
presença de peixes contaminados no aquário,
o isolamento ou a eliminação de todos
suspeitos seria talvez o único meio de evitarmos
uma epidemia. As condições de higiene
do aquário deverão ser controladas. Algumas
recomendações seriam: se possível
baixar à temperatura a 25° a 20°C ou
eleva-la à 30° a 32°C, fornecer uma forte
aeração, uma boa filtragem, retirar todas
as matérias em decomposição, dando
luz suficiente e se possível submetendo a água
à ação dos raios UV e alimentação
reforçada de preferência ricas em proteínas
(alimentos vivos).

EXOFTALMIA
Nota-se a pretuberância do globo
ocular, por vezes acompanhada por uma ligeira opacifícação.
Tanto pode ser a causa de uma infecção
passageira, e neste caso é melhor deixar o peixe
sossegado; como representar o sintoma de várias
perturbações provocadas por uma água
imprópria ou uma alimentação deficiente.
Nesse último caso não existe cura, a única
solução é evitar que isso aconteça.
SAPROLEGNIA
Quando, depois de um ferimento, cai
uma escama, podem ali fixar-se esporos do fungo Saprolegnia.
Desenvolve-se, então, ao lado da escama caída,
uma excrescência, como um chumaço de algodão.
Algumas gotas de azul de metileno duas vezes por dia
sobre os fungos é o tratamento recomendado. Para
isso, o peixe é recolhido em uma rede fora do
aquário.
VERME ÂNCORA
Trata-se de um verme de aproximadamente
uns 6 mm de comprimento por 1 mm de diâmetro que
normalmente aparece fixado na nadadeira dorsal do animal,
como se uma flexa o tivesse atravessado. Como tratamento,
aconselha-se remover o verme. Para isso pode ser usada
uma pinça, ou outro instrumento equivalente.
Para mim, o mais fácil é separar um pano
limpo e sem resíduos químicos para segurar
o peixe, umidecer o pano na água do aquário,
e segurar o peixe deixando apenas a área infectada
exposta; remover o verme rapidamente com a pinça,
pingar merthiolate no local (para evitar infecções)
e devolver o peixe ao aquário.
ICHTHYOPHONUS
Também chamada de "Doença
da boca branca". É outra forma de infecção
causada por fungo de mesmo nome da doença, raramente
diagnosticada pelo aquarista. É provocada pela
ingestão por parte do peixe de cistos desse fungo
presentes em outros peixes ou livres na água.
O fungo desenvolve-se então no instestino e penetra
nas vias sangüíneas. Os sintomas variam
dependendo de onde a infecção tem início,
mas podem ocorrer ulcerações na pele,
inchação abdominal ou enfraquecimento.
O tratamento é feito embebendo-se alimento seco
em uma solução a 1:100 de fenoxetol, misturando
aos peixes infectados. Remova sempre os peixes mortos
do aquário o mais cedo que puder.
ENVENENAMENTO
Sinais: O peixe permanece logo abaixo
da superfície da água, respirando forçado,
mesmo que a filtragem e aeração estejam
funcionando bem. Algumas vezes, o peixe corre pelo aquário,
erraticamente.
Causa: Envenenamento por metais tal como o cobre (canos,
excesso de algicida) ou amônia ou nitrito.
Tratamento: Em casos agudos, troque metade da água,
imediatamente, repita após 12 horas, se necessário.
Determine a causa e retire o material que causou o envenenamento.
INTOXICAÇÃO POR
NITRITO (NH³)
Os sintomas são olhos embaçados,
dificuldades respiratórias, inquietação
(o peixe fica balançando na água e morre
deitado). É causado por uma superpopulação
de peixes no aquário, água não
estabilizada e excesso de alimentos. Como tratamento,
é aconselhável trocar a água e
manter o peixe em água nova bem condicionada
com produtos já existentes no mercado.
CHOQUE POR MUDANÇA DE
pH e dH
Acontece em alguns peixes mais sensíveis
quando são transferidos bruscamente do seu aquário,
para outro com uma água diferente em acidez e
dureza. O peixe, ao ser introduzido no aquário,
nada com rapidez durante uns instantes, para depois
cair no fundo com a respiração bastante
acelerada e, se não for de novo colocado na água
inicial, pode não resistir e morrer.
Também pode contribuir para
esta situação uma diferença de
alguns graus na temperatura dos dois aquários.
Para evitar que isso aconteça, proceder de forma
indicada na parte reservada à higiene.

Estas são, em breves linhas, as doenças
mais comuns observadas em peixes vivendo em cativeiro.
Se não houver mudanças bruscas de água
ou temperatura, se os peixes forem devidamente alimentados,
essas doenças serão evitadas. ATENÇÃO:
Nunca se deve usar um remédio diretamente no
aquário comunitário, pois o remédio
afeta as plantas e destrói toda a microfauna
da água, causando um desequilíbrio biológico.
Só use em caso em que a epidemia se revele incontrolável,
trocando toda a água ao final do tratamento.
Abaixo, alguns acessórios úteis no tratamento
dos peixes.
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