Marina Milos - Bióloga
Normalmente as doenças de
peixes estão associadas com a baixa da qualidade
da água, ou pela ocorrência de algum
fator estressante no aquário. O acúmulo
de matéria orgânica (animal e vegetal)
no fundo do aquário, e também os restos
de comida, são na maioria dos casos os responsáveis
pelo aparecimento de mal cheiro e doenças.
A super alimentação dos peixes é
um problema sério nos aquários: dê
para os peixes comerem apenas o suficiente; nunca
alimente em excesso, pois o excesso vai para o fundo
se decompor, e "estragar" a água.
A alimentação em excesso é, a
longo prazo, muito mais prejudicial que a falta de
alimentação.
É importante fazer com frequência
uma manutenção preventiva para manter
a água em boas condições. Faz
parte dessa manutenção a troca de água
com limpeza do fundo (usando sifão) e a limpeza
dos filtros.
Mas o que fazer na ocorrência
de algum problema?
1) Não alimente os peixes
até diagnosticar o problema;
2) Com cuidado para não estressar mais ainda
os peixes, limpe o aquário, retirando folhas
mortas e fazendo uma pequena troca parcial de água,
entre 10 a 20 % do volume de água do aquário,
ou 50 % no caso dos peixes parecerem invenenados;
3) Aumente a aeração na água;
4) Se não tiver no aquário nenhum peixe
muito sensível a sal grosso (cascudos e limpa-vidros),
dissolva um pouco de sal grosso, e adicione à
água. No caso de coridoras, que também
são sensíveis ao sal, é possível
mesmo assim colocar um pouco de sal grosso dissolvido;
5) Se algum peixe está com sinais de doença,
tente diagnosticar. Se for íctio, trate no
próprio aquário aumentando a temperatura
aos poucos (0,5° por hora) até 31°.
Não aumente mais de 5° por dia. Aumente
a oxigenação da água, pois com
o aumento da temperatura, a quantidade de oxigênio
na água vai diminuir. Se os sintomas forem
de outra doença e for necessário o uso
de antibióticos, faça o tratamento em
aquário hospital, especialmente se houverem
plantas no aquário. Evite ao máximo
o uso de remédios; só os use se não
houver outro jeito, e após ter certeza daquilo
que está sendo tratado! Pela minha experiência,
eu recomendo para uso no aquário principal
somente sal grosso, e os Bactericida e Fungicida,
e o Parasiticida, da Atlantis. De todos os medicamentos
que eu testei nos meus aquários, esses foram
os únicos que se mostraram, ao mesmo tempo,
efetivos contra as doenças e indiferentes para
as plantas e a biologia do aquário. O Parasiticida
serve para combater o íctio, e o Bactericida
e Fungicida, contra fungos e outras doenças;
6) Para remover mal cheiro do aquário, use
carvão ativado novo dentro do filtro, ou em
uma meia de seda em local de boa circulação
de água. Cuidado, o carvão ativado remove
impurezas da água, incluindo os medicamentos;
7) Mantenha uma rotina de pequenas trocas d´água
no aquário, até resolver completamente
o problema.
Quanto a fatores estressantes, posso
citar uma mudança brusca de pH, ou de temperatura.
No caso de uma troca de água, é importante
checar o pH da torneira e do aquário, e checar
se não é necessário tratar a
água da torneira para essa ser mais compatível
com a do aquário. É sintoma de choque
de pH, após uma troca d´água,
os peixes irem para a superfície e ficarem
boqueando ar. Nesse caso, aumente a aeração,
e tente corrigir o pH bem lentamente. O choque de
temperatura pode ocorrer por quebra do aquecedor,
por exemplo. Nesse caso, é necessário
subir a temperatura aos poucos, não mais de
5° no primeiro dia, e dois graus cada dia até
voltar ao normal.
Aquário Hospital
Pode ser um recipiente com capacidade
de 30 a 50 litros. Deve ter laguma pedra, planta artificial,
ou pedaço de vaso de cerâmica para que
os peixes se sintam mais abrigados, mas não
deve conter cascalho, pois este seria um abrigo para
os organismos causadores das doenças. É
importante uma bombinha com pedra porosa, e um aquecedor
(os Visi-Term são muito bons). Como medicamentos
básicos, Parasiticida da Atlantis, Bactericida
e Fungicida da Atlantis, algum antibiótico
de largo espectro, como terramicina ou Maracyn 2,
e sal grosso.
O aquário hospital pode ficar
desmontado, e ser montado apenas em uma urgência,
ou ficar montado permanentemente. Quando a água
do aquário de origem do peixe a ser tratado
estiver em condições aceitáveis,
é recomendável encher o aquário
hospital com 50% de água nova, e 50% do aquário
de origem, para minimizar a chance de o peixe tomar
um choque pela mudança brusca das condições
da água.
Quando se usar antibiótico
no aquário hospital, não se deve deixar
iluminação sobre o aquário, tentando
manter o aquário na sombra. Pode-se até
cobrir parcialmente o aquário com um pano,
para evitar a entrada de luz, e também para
que o peixe se sinta mais seguro.
Este é um artigo produzido
por Marina Milos