Vida no Aquário - Editora
Três
Como
se tem observado, a alimentação viva
é muito importante para espécies criadas
em aquários, pois possuem os mesmos valores
nutritivos que os peixes encontram na natureza. Entre
os alimentos mais utilizados pelos aquaristas, encontramos
a dáfnia (Daphnia sp.), rica fonte de iodo,
fósforo e cálcio, chamada também
de pulga d’água.
Na verdade, as dáfnias são
pequenos crustáceos da subordem Cladocera,
medindo cerca de 2 a 4mm de comprimento. Na natureza
vivem em lagos e charcos, locais de águas paradas
e ricos em matéria orgânica. De aparência
semelhante a uma pulga, seu corpo é ovalado
e recoberto por uma espécie de concha transparente,
com duas valvas que lhe servem de esqueleto. A cabeça
é grande e os olhos são bem desenvolvidos.
Possui 2 pares de antenas, sendo que o segundo par
é bem desenvolvido e é por meio dele
que as pulgas-d’água se locomovem, impulsionadas
por pequenos saltos bruscos. O movimento é
na maioria das vezes no sentido vertical e quase sempre
espasmódico. A dáfnia dá golpes
para baixo usando as antenas e é impulsionada
para cima, depois submerge lentamente, utilizando
as antenas como se fossem pára-quedas.
As dáfnias possuem geralmente
5 pares de apêndices corporais com forma achatada.
O movimento contínuo desses apêndices
promove uma corrente de água para dentro do
corpo, sendo filtrada por cerdas localizadas na base
dos apêndices. Eles funcionam como bomba d’água
e filtro, um mecanismo muito eficiente para a coleta
de plâncton, que é o alimento básico
desses diminutos animais (uma colônia de dáfnias
limpa, em pouco tempo, um aquário de água
esverdeada repleto de plâncton).
A coloração das dáfnias
varia de acordo com a presença de hemoglobina
em seu sangue. As que vivem em águas bem aeradas
(com grande quantidade de oxigênio dissolvido)
não fabricam hemoglobina e têm a coloração
branca. Já aquelas que vivem em águas
estagnadas são vermelhas, porque precisam produzir
hemoglobina para capturar o pouco oxigênio encontrado
na água. Quando elas se transportam de um lugar
pouco aerado para um outro com mais oxigênio,
o excesso de hemoglobina é destruído
e isso libera ferro, fazendo com que a coloração
das dáfnias fique entre preta e cinza.
Apesar de ser um alimento altamente
nutritivo para os peixes, as dáfnias não
devem ser ministradas mais de 2 ou 3 vezes por semana,
devido à grande quantidade de vitamina A que
possuem. Essa vitamina só é benéfica
em pequenas quantidades. Um procedimento correto é
usar as dáfnias como parte de uma dieta mista
e variada (os peixes podem ficar “viciados”
em dáfnias e no inverno, época onde
são encontradas com certa dificuldade, você
terá problemas para alimentar seus exemplares).
Elas devem ser servidas vivas e sempre em pequenas
quantidades, pois além de serem grandes consumidoras
de oxigênio, quando colocadas em quantidades
superiores às que os peixes comem, elas morrem
em 1 ou 2 dias e poluem a água do aquário.
A melhor época para se capturar
ou cultivar as dáfnias é durante o verão
e primavera, períodos em que sua concentração
atinge números altíssimos devido à
elevação da temperatura, que permanece
entre 26º e 32ºC e facilita sua reprodução.
Criação
Um bom conselho aos aquaristas, é
que eles tenham sua própria produção
de dáfnias, o que não é muito
difícil quando feita no verão. Ovíparas,
as dáfnias deverão ser cultivadas em
recipientes não metálicos para propiciar
uma boa proliferação do plâncton.
Você poderá usar um aquário ou
reservatório plástico com capacidade
para mais de 100 litros (recipientes menores não
darão bons resultados) ou então uma
caixa-d’água de 500 litros.
Coloque o recipiente em local aberto
e onde bata bastante sol. A temperatura deve estar
entre os 26º e 32ºC e, durante o inverno,
o tanque terá que ser mantido em local aquecido
(a instalação de uma lâmpada comum
já resolve o problema). Encha-o de água
doce e acrescente 2 colheres de sopa de pó
de coral para auxiliar na criação de
microalgas e algumas folhas de verduras secas ao sol,
que propiciarão o desenvolvimento de infusórios.
Cerca de 4 dias depois, a água
já estará verde e pronta para receber
as dáfnias, que poderão ser coletadas
ou compradas em lojas. Alimente-as com infusórios,
caldo de legumes e caldo de coração
de boi, espinafre batidos (uma folha de alface no
tanque garante a reprodução constante
de infusórios, não sendo assim necessário
dar outro tipo de alimento). Após algumas semanas,
já é possível notar uma nuvem
vermelha (quando a aeração for baixa)
de dáfnias próxima à superfície.
Quanto maior a temperatura da água, maior será
seu crescimento e multiplicação.
Nas concentrações desses
pequenos crustáceos, o número de machos
é muito reduzido e às vezes pode até
mesmo não haver nenhum, o que torna comum a
partenogênese (óvulos não fecundados
desenvolverem-se normalmente e resultam em animais
idênticos à mãe). Esse processo
é usado para economizar tempo e energia. Na
natureza, as gerações onde existem os
dois sexos ocorrem nos períodos de maior oferta
de alimento e as gerações só
de fêmeas nas épocas de pouca comida.
Numa criação em aquário, normalmente
há grande quantidade de alimentos e talvez
nunca ocorra uma geração exclusivamente
de fêmeas.