Um dos alimentos mais indicados e
praticamente indispensáveis na dieta da maioria
das espécies ornamentais criadas em aquário
– e porque não dizer de todas –
são as artemias salinas. São pequenos
crustáceos da ordem Anostraca, que medem no
máximo 11mm de tamanho e têm a coloração
variando de rosa pálido ao avermelhado, dependendo
do tipo de alimento que consumir.
Vivendo em regiões de água
salgada concentrada (salinas), as artemias desempenham
um papel muito importante na dieta alimentar dos peixes,
pois além de serem ricas em proteínas,
vitaminas (principalmente a protovitamina A ou o Caroteno)
e sais minerais, é o melhor alimento vivo que
podemos fornecer a peixes em tratamento, já
que suas qualidades nutritivas aceleram a recuperação
(artêmia em grego significa saúde).
Assim, se uso diário é
recomendável para peixes em estado de convalescença
e também aos alevinos que já acabaram
de consumir o saco vitelino. Algumas espécies,
como os cavalos-marinhos e corais por exemplo, alimentam-se
quase que exclusivamente de náuplios de artêmia,
ou seja artemias recém nascidas.
A artêmia salina está
em constante estado de locomoção, pois
é pelas pernas que ela se alimenta e também
respira. O pequeno crustáceo não tem
carapaça e possui 11 pares de pernas torácicas,
semelhantes entre si. Cada perna possui 7 enditos
(uma espécie de “galhinhos”) com
pelos finíssimos, quase imperceptíveis,
chamados de cerdas e que atuam na filtragem e coleta
de alimentos. Essa filtragem s processa quando as
pernas se movimentam para frente, dando um novo impulso
e formando assim “caixas filtradoras”,
onde através das cerdas são filtradas
e coletadas as micro algas, bactérias, diatomáceas
e flagelados, além dos detritos orgânicos
em suspensão no corpo aquático.
Atingindo a fase adulta com apenas
de 18 a 24 dias de vida, a artêmia se reproduz
com facilidade. Os sexos são distintos e o
dimorfismo sexual é facilmente notado. A fêmea,
quando adulta, possui uma bolsa incubadora no último
segmento torácico e, ao contrário do
macho, não apresenta apêndices abdominais.
Quando nadam em cópula, o macho usa as segundas
antenas, semelhantes a bigodes, para segurar a fêmea.
Náuplios de artemia
Os
ovos de artêmia salina não devem ser
ministrados diretamente como alimento para os peixes.
Eles são revestidos de uma casca protetora
que não é digerida pelo estômago
do animal, saindo intactos pelas fezes. Como os náuplios
constituem a principal alimentação dos
alevinos e também de algumas espécies
de peixes adultos, uma boa dica é cria-los
em casa, o que não é nada difícil.
Adquira em lojas de aquário uma pequena porção
de artemias na forma de cistos – ovos (5g de
ovos produzem cerca de 30 cm3 de náuplios de
artêmia). Coloque-os num aquário pequeno
com água do mar ou uma solução
contendo 1 colher de sopa de sal marinho para cada
litro de água. Os ovos levarão de 24
a 36 horas para eclodirem e durante essa operação
o aquário deverá ter apenas uma leve
aeração, porém constante; a luz
deve ser intensa e a temperatura entre 25º e
28ºC.
Após a eclosão dos
cistos, devemos retirar as carapaças dos ovos
que ficam alojadas nas bordas do aquário. Os
náuplios podem ser colhidos com uma peneira
de tela bem fina e, cerca de 1 hora antes de oferece-los
aos peixes, acrescente (se quiser) 3 gotas de algum
complexo vitamínico para aves (os náuplios
retêm as vitaminas e tornam-se ainda mais nutritivos
aos peixes). Vale salientar que os ovos de artêmia,
quando secos, podem ser conservados em frascos fechados
durante um longo período (cerca de 6 anos)
e ao serem colocados em contato com a água,
eclodem após 1 dia ou 2, dependendo da luz
e temperatura do ambiente.
Artemias adultas
Um boa forma de criar artemias adultas
de boa qualidade e ter uma auto-suficiência
é a seguinte: em local aberto onde bata bastante
sol, coloca-se um aquário de, no mínimo,
50x30x30cm (ou então uma caixa d’água)
com água do mar ou preparada como já
foi descrito. Transforme alguns pedaços de
coral em pó e misture na água do aquário
até que esta fique opaca. Não é
necessário aeradores nem controle de temperatura.
Após alguns dias, a água
estará totalmente verde e rica em microalgas
que, além de ótimas oxigenadoras, servirão
de alimento para as artemias. Somente então
colocaremos os cistos para germinar, sendo que cerca
de 20 dias depois as artemias já estarão
na fase adulta e de reprodução. Se mantivermos
sempre algumas artemias adultas no aquário
de criação para reprodução,
não será necessário colocar ovos
para eclodirem durante vários meses.
As artemias cultivadas por este processo
terão a cor avermelhada e um alto teor de protovitaminas.
Caso você queira testar outros alimentos para
o pequeno crustáceo além das micro-algas,
monte um pequeno aquário e alimente-as com
fermento biológico, levedo de cerveja e pastas
industrializadas próprias para artêmia
salina. Dessa forma, porém, a artêmia
terá uma coloração mais pálida
e será mais pobre em vitaminas, proteínas
e sais minerais.
A maior vantagem em se criar as artemias
em casa (ao invés de coleta-las ou comprá-las)
é que você terá certeza que elas
são saudáveis e não provêm
de locais infectados, mantendo seus peixes livres
de qualquer contaminação.
Vida no Aquário - Editora Três