A
instalação do aquário deve ser
cuidadosamente estudada para evitar futuras decepções.
Os seus habitantes necessitam de um ambiente higiênico,
bem plantado, onde possam ter condições
de vida semelhante àquelas de seu habitat natural.
A grande maioria dos peixes de aquário que
se encontram à venda, já nasceram em
ambientes artificiais, mas os peixes possuem, como
todos os animais, uma especie de "memória
hereditária" a que se convencionou chamar
instinto, que os faz agir e viver de modo imutável
durante gerações e mais gerações.
O bom aquariófilo tenta dar a seus peixes o
melhor ambiente possível e para tal começa
por preparar-lhes um bom aquário.
Os
globos ou bujões de vidro estão hoje
em desuso pois, pelo seu formato, não permitem
que o ar entre em contato com a superfície
em quantidades suficientes e assim o seu processo
de oxigenação é feito muito lentamente.
Os aquários de hoje são de formato retangular,
permitindo fácil limpeza, boa plantação
e melhor observação dos peixes através
de vidros planos. O aquário pode ser feito
por nós mesmos, mas há casas que já
os vendem prontos ou aceitam encomendas para construí-lo
em qualquer tamanho. Sai um pouquinho mais caro, mas
temos o serviço executado por um profissional,
o que é uma garantia.
O tamanho ideal para um bom aquário decorativo
é 60cm de comprimento por 30cm de largura,
com uma altura de 40cm. Leva 72 litros de água
permitindo nele conservar uma boa quantidade de peixes.
Os peixes necessitam de oxigênio, e eles retiram
este oxigênio da água. A água
absorve o oxigênio da atmosfera, então
quanto maior a superfície da água em
contato com o ar mais eficiente será a absorção
de oxigênio pela água. Só os primeiros
3 milímetros da água na superfície
do áquario ficam saturados de oxigênio,
por isso precisamos de sistemas circulatórios,
como pedras porosas, para misturar esta água
saturada ao resto da água e deixar uma outra
camada de água na superfície ficar saturada.
Uma coisa é certa: quanto maior o aquário
mais fácil será a manutenção
da vida existente nele. Podemos, entretanto, contentar-nos
com um de dimensões mais modestas. Convém
termos sempre à mão pequenos aquários
ou recipientes de plástico para separar filhotes
ou algum peixe doente.
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O aquário deve ser colocado de preferência
perto de uma janela onde receba indiretamente os raios
solares matutinos. Não se deve pôr o
aquário no vão da janela por causa do
frio no inverno e do calor no verão. Além
disso, a luz direta do sol compromete o crescimento
regular das plantas e provoca uma proliferação
excessiva de algas. Se o vamos colocar sobre alguma
mesa ou armação especial, esta deve
ser bastante sólida e não permitir oscilações,
que podem ser corrigidas colocando-se uma placa de
isopor entre o móvel e o aquário, caso
contrário a pressão da água não-uniforme
poderá trincar o vidro.
Sabemos que um aquário deve ter plantas e,
para isso, necessitamos de um solo onde elas enrraízem.
É desaconselhável o uso de terra, pois
além de turvar a água, fermenta facilmente,
desenvolvendo gases prejudiciais aos peixes. O melhor
mesmo é usar areia. A areia não deve
ser vista como um simples elemento decorativo. Na
verdade também serve, por vezes, como massa
filtrante no caso do filtro de fundo, e constitui
uma fixação para as plantas, que inclusive
retiram dela parte do seu alimento.
Na escolha da areia deve-se rejeitar toda aquela
que possuir elementos calcários ou qualquer
outra matéria que possa vir a alterar a qualidade
da água. A areia não deve ser muito
fina, para que as raízes das plantas não
encontrem dificuldades para atravessar uma massa muito
compacta. Podemos usar areia de rio, areão
(areia grossa de construção) ou areia
de praia, apanhada mesmo onde quebram as ondas. Devemos
lavá-la bem em água corrente, para garantir
que não estamos introduzindo nenhuma doença
no aquário através da areia, fervê-la
e deixá-la secar ao sol.
Depois de todo esse processo, devemos espalhar bem
a areia e calcar com as pontas dos dedos para impedir
que nela fiquem aprisionadas algumas bolhas de ar.
Só então devemos pôr a água
no aquário. Obs: a areia deve
ficar com aproximadamente 9cm de altura na parte de
trás e 5cm na parte da frente. A areia formará
uma rampa cujo objetivo é direcionar os detritos,
restos de comida e de plantas para parte da frente
do aquário, facilitando a limpeza através
do uso do sifão. Quando o aquário já
estiver com 3/4 da água é hora de plantar
a vegetação. Para melhor efeito decorativo,
as maiores devem ficar atrás, fazendo fundo,
ficando as mais baixas na frente.
A decoração pode ser muito mais atrativa
com a postura de algumas pedras e troncos pois, além
de dar um ambiente mais natural, servem para esconder
alguns acessórios inestéticos e de esconderijo
para alguns peixes tímidos. As pedras mais
usadas são o granito, o basalto, os xistos
e a lava de vulcão. Obs: o
uso de castelinhos, bichos de porcelana, navios afundados,
bonecos de plástico, etc., é condenável.
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O aquário deve ficar uma semana em funcionamento
antes de receber seus habitantes. Depois disso, resta
apenas fazer a escolha dos peixes. Para isso deve-se
levar em conta seus hábitos particulares e
as exigências de cada um, no que diz respeito
à qualidade de água e à sua alimentação.
Quanto ao número de peixes, é muito
dificil estabelecer valores fixos, pois isso pode
variar conforme a espécie; por princípio,
a cada 2cm de peixe deve corresponder 1 litro de água.
Há uma outra regra que usa a relação
da superfície de contato da água com
o ar: essa regra consiste em deixar 75 cm² de
superfície para cada 2.5 cm de peixe (excluindo
a cauda). Para calcular quantos peixes de 2.5 cm o
seu aquário pode acomodar multiplique o comprimento
do aquário pela largura e divida o resultado
por 75 cm². Esta regra só funciona pra
peixes de até 15cm. É por isso que muitos
aquaristas defendem a idéia de que o aquário
deve ter mais largura que altura.
