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  ALIMENTAÇÃO: Um Problemão  

Sérgio Gomes

A alimentação em aquários, sejam eles marinhos ou de água doce é fator de fundamental importância. A qualidade da mesma deve ser a melhor possível para que consigamos suprir as necessidades de nossos peixes que, na natureza encontram tudo o que lhes é necessário para um perfeito e rápido crescimento e desenvolvimento das mais variadas cores.

Ao contrário do que muitos pensam, os peixes precisam comer muito. Mas muito meeesmo. Mas isto também não significa que devemos virar um pote de comida em nossos aquários.

Não sei porque convencionou-se dizer que peixes em aquários comem por repetição. O comportamento alimentar dos peixes em aquários não é diferente do comportamento no ambiente natural. Nos tanques, assim como na natureza, comem tudo o que encontram pela frente e não apenas o que é necessário para seu desenvolvimento como muitos imaginam. Ocorre que na natureza, para encontrar o alimento é exigido certo desgaste, ou seja, os animais precisam se esforçar nadando quilômetros diariamente para achar comida, e em nossos tanques, devido ao espaço limitado não há este desgaste, portanto, seus organismos exigem menos alimento que na natureza. Este controle da quantidade deve ser feito por nós mesmos usando o bom senso.

 

CADEIA ALIMENTAR


Os peixes, na natureza, exercem papel de consumidores e alimento, ou seja, são predadores de determinados seres (como algas, crustáceos e moluscos ou mesmo peixes menores) e também servem de alimento para outros ou os mesmos seres (como algas e pequenos animais - quando morrem ou quando defecam - e outros animais como peixes maiores ou alguns mamíferos).

O fator alimentação é portanto um dos principais limitadores de população de um ambiente, impedindo que algumas espécies se proliferem de maneira exagerada o que poderia comprometer todo um ecossistema. É claro que o número de predadores naturais também controla a população de determinada espécie sendo portanto um dos fundamentais limitadores populacionais, mas ainda assim estamos falando de alimentação, só que neste caso, do ponto de vista dos predadores.

Na natureza, os peixes encontram o que precisam para se alimentar, mas não como num aquário quando oferecemos alimento. Nos recifes de coral, rios e lagos o alimento está espalhado obrigando-os, como dissemos, a percorrer distâncias enormes durante um dia, e é por não encontrarem alimento como encontram nos aquários, ou seja, de uma só vez, é que os peixes em ambiente natural não "comem até estourar".

Se houver uma interrupção na cadeia alimentar podem ocorrer catástrofes ecológicas como extinção de determinadas espécies neste local.

Um exemplo prático é o papel do nosso jacaré no pantanal... São um dos poucos predadores naturais de piranhas, e as piranhas comem outras espécies de peixes. Se houver uma diminuição significativa na população de jacarés, haverá uma população excessiva de piranhas que acabarão por extinguir outras espécies de peixes e até talvez sua própria por escassez de alimento.

Os peixes comem tudo o que lhes aparecer pela frente e não tem parâmetros de quando cessar, tanto na natureza quanto em nossos aquários. A diferença, como já vimos, está na dificuldade de encontrar alimento.


Fundamentalmente, o que quero dizer é que é incorreto dizer que os peixes precisam comer pouco. Precisam comer o necessário. O necessário é a quantidade suficiente para mantê-lo com aparência gordinha.

Quando mergulhar, ou assistir a uma fita de mergulho ou mesmo de peixes de rio, reparem que a vida dos peixes é procurar comida. Estão sempre a procura de alimento. São muito esfomeados, e este é um dos sinais que o peixe está se sentindo bem. Este deve ser o comportamento de um peixe em um aquário.

- Gordinho? Quer dizer que nossos peixes precisam ser gordinhos?

Basicamente sim.

Você já pescou algum peixe em um rio ou represa que estivesse magro? Você comeria um peixe com esta aparência? O primeiro pensamento seria : "Hummm ! Este peixe é contaminado..."

Se já mergulhou ou assistiu á fitas de mergulho, já viu algum peixe magro? Eu nunca. Todos os peixes que vi em habitat natural me pareceram empanturrados de comida. Gordos mesmo, e sempre procurando mais.

Nos aquários, devemos ter o cuidado de não deixá-los empanturrados, mas basicamente gordinhos, com aparência "roliça".

Muita gente sabe disso, e decide então alimentar várias vezes por dia em grande quantidade...

Daí surge o grande, e porque não dizer, maior problema dos aquaristas de maneira geral : O Excesso de Alimento.

 

ALIMENTAÇÃO EXCESSIVA

Venho dizendo durante toda a matéria que os peixes precisam comer muito e serem alimentados com os mais variados sabores de alimento que existem no mercado mundial de aquarismo, mas devemos tomar um cuidado básico: Alimentar da forma correta.

- Mas como assim? Alimentar é só jogar a comidinha no aquário e pronto!

Está errado.

Alimentar é talvez a coisa mais importante que o aquarista deve fazer em seus aquários e não pode ser encarada assim, com tanta simplicidade.

Alimentar corretamente, é prover aos peixes quantidade e qualidade necessária para que supram suas necessidades físicas sem deixar sobras no aquário .

Pense comigo: Se acabar sua refeição e jogar o resto de sua comida em um canto da cozinha, o que vai acontecer? Apodrecer, não é? Quais as conseqüências a saúde das pessoas que vivem na sua casa isto pode trazer? Agora imagine : Se todos os dias, os restos de suas refeições forem se acumulando no canto de sua cozinha... Quais seriam as conseqüências? O que isto poderia lhe trazer em termos de queda na qualidade de vida de sua família?

Pois no aquário ocorre o mesmo. Se sobrar, vai apodrecer trazendo conseqüências terríveis ao ambiente como um todo.

Alimentando sem sobras, os filtros biológicos e mecânicos, desde que estejam bem dimensionados e em bom funcionamento se encarregarão de eliminar as toxinas produzidas pelas fezes dos peixes. Claro que recursos como sifonagens e trocas parciais ajudam e devem ser feitas periodicamente de acordo com as instruções de seu tipo de aquário.

 

COM O QUÊ ALIMENTAR

O tipo de alimento que será administrado, depende fundamentalmente do tipo de aquário e espécies de peixes que você tem.

No mercado temos vários tipos de alimento como :

- alimentos em flocos;
- alimentos granulados ou em forma de bolinhas;
- alimentos para peixes de fundo como botias, corydoras;
- alimentos industrializados para peixes grandes e carnívoros;
- alimentos desidratados;
- alimentos hidratados;
- alimentos vivos como artêmia, blood worm, dafnia, tubifex, etc...
- alimentos congelados
- alimentos em forma de patê com misturas variadas
- etc...

Todos são muito bons e cada espécie apresenta algumas exigências distintas, mas basicamente, devemos procurar oferecer aos peixes uma mistura com vários tipos de alimento mas, para não exagerar na dose, que tal um dia dar um tipo, no outro, outro tipo e assim por diante?

 

QUANTO E COMO DEVO ALIMENTAR

Esta é a parte mais importante, e como dissemos, alimentar deve ser encarado com seriedade. Devemos realizar uma espécie de "ritual".

Não importa qual o tipo do alimento, procure seguir esta regra básica:

Dar um pouquinho de nada (uma pitadinha) apenas para chamar a atenção da "galera". Quando todo mundo, ou ao menos a maior parte estiver ali, esperando você jogar mais, jogue uma pitada pequena, mas maior que a anterior. Repita isto mais uma ou duas vezes, até que perceba uma diminuição na voracidade do apetite de seus peixes, sempre muito atento para que nenhum floquinho ou bolinha ou pedacinho do que quer que seja fique pelo aquário. Cada nova pitadinha só deve ser administrada quando absolutamente todo alimento for consumido. Com isso, todos ficarão satisfeitos e nada sobrará no tanque.

Se quiser, diminua um pouco a quantidade de alimento e poderá até alimentar duas vezes por dia.

No caso de aquários marinhos, isto também pode ser feito, mas no caso de aquários de rochas vivas recomendaria que a alimentação fosse encarada apenas como um complemento na alimentação já que as próprias rochas já fornecem grande quantidade de alimento natural aos peixes. Uma alimentação diária e em grande quantidade poderia causar problemas como o aparecimento indesejável de algas filamentosas bem como problemas no equilíbrio do tanque.

Lembrem-se que peixes marinhos na natureza não comem da superfície, ou seja, não tem o hábito de buscar alimento na superfície da água, e por isso podem ter problemas para se adaptarem com alimentos industrializados como flocos ou alimentos granulados por exemplo.

Para solucionar este problema, e estimulá-los a comer, pode-se pegar um copo de água (doce ou salgada) e jogar os flocos e granulados dentro. Se quiser, coloque também um pouco de artêmia viva ou congelada. Misture levemente e adicione com água. Lembre-se: Tudo isso da mesma forma já mencionada. Isto também pode ser feito para água doce, mas devemos sempre ter o cuidado de nunca deixar sobrar alimento.

Problemas com apetite?

É comum aos peixes marinhos e algumas espécies de água doce não aceitarem comida ou não se interessarem pelo alimento fornecido pelo aquarista. Quando isto ocorre podemos ativar o instinto natural de caça de nossos peixinhos fornecendo-lhes artêmias salinas vivas. As artêmias são pequenos crustáceos sem carapaça altamente nutritivas e que, por nadarem de maneira irregular quando colocadas no tanque podem estimular este instinto em um peixe sem apetite.

Mas, devemos dar um tratamento a artêmia antes de adicioná-la ao tanque: Coloque sob água de torneira a artêmia recém comprada na loja em uma redinha própria para este uso. Em seguida, coloque-as em um copo com água doce e deixe por cerca de 10 minutos. Jogue-as na rede novamente e então coloque-as novamente em um copo com nova água doce e então jogue-as de maneira já mencionada no tanque.

Se quiser adaptar seu peixe a comer alimento industrializado, adicione-o aos poucos junto a artêmia e vá com o tempo diminuindo a quantidade do crustáceo e aumentando a quantidade de flocos até que consiga eliminar a artêmia, mas é sempre bom, vez por outra alimentar seus peixes com este pequeno ser por seus altos índices de nutrientes.

Se por um acaso, alguma catástrofe como excesso de comida jogado no tanque por empregada, criança, cunhado ou entes familiares queridos que ignoram o ritual da alimentação procure retirar com uma rede ou mesmo sifonar (aspirar) todo o excesso de alimento trocando um pouco da água e o carvão, e rezar para que nada de mais grave ocorra.

 

CONCLUINDO

95% dos aquaristas que tem tido problemas com seus aquários nos dias de hoje não sabem, mas seu problema é com o excesso de alimentação, ou, melhor dizendo, alimentação errada que gera sobras que acarretará no apodrecimento parcial ou total do tanque causando mortes e mais mortes.

Siga corretamente o ritual da alimentação e , desde que possua um aquário bem montado e efetue as manutenções necessárias, terá fatalmente um tanque saudável e livre de fungos e parasitas oportunistas por muito e muito tempo.

 

Este é um texto produzido por Sérgio Gomes
sergio.aqua@rtfnet.com

 


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