A alimentação em aquários,
sejam eles marinhos ou de água doce é
fator de fundamental importância. A qualidade
da mesma deve ser a melhor possível para que
consigamos suprir as necessidades de nossos peixes
que, na natureza encontram tudo o que lhes é
necessário para um perfeito e rápido
crescimento e desenvolvimento das mais variadas cores.
Ao contrário do que muitos
pensam, os peixes precisam comer muito. Mas muito
meeesmo. Mas isto também não significa
que devemos virar um pote de comida em nossos aquários.
Não sei porque convencionou-se
dizer que peixes em aquários comem por repetição.
O comportamento alimentar dos peixes em aquários
não é diferente do comportamento no
ambiente natural. Nos tanques, assim como na natureza,
comem tudo o que encontram pela frente e não
apenas o que é necessário para seu desenvolvimento
como muitos imaginam. Ocorre que na natureza, para
encontrar o alimento é exigido certo desgaste,
ou seja, os animais precisam se esforçar nadando
quilômetros diariamente para achar comida, e
em nossos tanques, devido ao espaço limitado
não há este desgaste, portanto, seus
organismos exigem menos alimento que na natureza.
Este controle da quantidade deve ser feito por nós
mesmos usando o bom senso.
CADEIA ALIMENTAR
Os peixes, na natureza, exercem papel de consumidores
e alimento, ou seja, são predadores de determinados
seres (como algas, crustáceos e moluscos ou
mesmo peixes menores) e também servem de alimento
para outros ou os mesmos seres (como algas e pequenos
animais - quando morrem ou quando defecam - e outros
animais como peixes maiores ou alguns mamíferos).
O fator alimentação
é portanto um dos principais limitadores de
população de um ambiente, impedindo
que algumas espécies se proliferem de maneira
exagerada o que poderia comprometer todo um ecossistema.
É claro que o número de predadores naturais
também controla a população de
determinada espécie sendo portanto um dos fundamentais
limitadores populacionais, mas ainda assim estamos
falando de alimentação, só que
neste caso, do ponto de vista dos predadores.
Na natureza, os peixes encontram
o que precisam para se alimentar, mas não como
num aquário quando oferecemos alimento. Nos
recifes de coral, rios e lagos o alimento está
espalhado obrigando-os, como dissemos, a percorrer
distâncias enormes durante um dia, e é
por não encontrarem alimento como encontram
nos aquários, ou seja, de uma só vez,
é que os peixes em ambiente natural não
"comem até estourar".
Se houver uma interrupção
na cadeia alimentar podem ocorrer catástrofes
ecológicas como extinção de determinadas
espécies neste local.
Um exemplo prático é
o papel do nosso jacaré no pantanal... São
um dos poucos predadores naturais de piranhas, e as
piranhas comem outras espécies de peixes. Se
houver uma diminuição significativa
na população de jacarés, haverá
uma população excessiva de piranhas
que acabarão por extinguir outras espécies
de peixes e até talvez sua própria por
escassez de alimento.
Os peixes comem tudo o que lhes aparecer
pela frente e não tem parâmetros de quando
cessar, tanto na natureza quanto em nossos aquários.
A diferença, como já vimos, está
na dificuldade de encontrar alimento.
Fundamentalmente, o que quero dizer é que é
incorreto dizer que os peixes precisam comer pouco.
Precisam comer o necessário. O necessário
é a quantidade suficiente para mantê-lo
com aparência gordinha.
Quando mergulhar, ou assistir a uma
fita de mergulho ou mesmo de peixes de rio, reparem
que a vida dos peixes é procurar comida. Estão
sempre a procura de alimento. São muito esfomeados,
e este é um dos sinais que o peixe está
se sentindo bem. Este deve ser o comportamento de
um peixe em um aquário.
- Gordinho? Quer dizer que nossos
peixes precisam ser gordinhos?
Basicamente sim.
Você já pescou algum
peixe em um rio ou represa que estivesse magro? Você
comeria um peixe com esta aparência? O primeiro
pensamento seria : "Hummm ! Este peixe é
contaminado..."
Se já mergulhou ou assistiu
á fitas de mergulho, já viu algum peixe
magro? Eu nunca. Todos os peixes que vi em habitat
natural me pareceram empanturrados de comida. Gordos
mesmo, e sempre procurando mais.
Nos aquários, devemos ter
o cuidado de não deixá-los empanturrados,
mas basicamente gordinhos, com aparência "roliça".
Muita gente sabe disso, e decide
então alimentar várias vezes por dia
em grande quantidade...
Daí surge o grande, e porque
não dizer, maior problema dos aquaristas de
maneira geral : O Excesso de Alimento.
ALIMENTAÇÃO
EXCESSIVA
Venho dizendo durante toda a matéria
que os peixes precisam comer muito e serem alimentados
com os mais variados sabores de alimento que existem
no mercado mundial de aquarismo, mas devemos tomar
um cuidado básico: Alimentar da forma correta.
- Mas como assim? Alimentar é
só jogar a comidinha no aquário e pronto!
Está errado.
Alimentar é talvez a coisa
mais importante que o aquarista deve fazer em seus
aquários e não pode ser encarada assim,
com tanta simplicidade.
Alimentar corretamente, é
prover aos peixes quantidade e qualidade necessária
para que supram suas necessidades físicas sem
deixar sobras no aquário .
Pense comigo: Se acabar sua refeição
e jogar o resto de sua comida em um canto da cozinha,
o que vai acontecer? Apodrecer, não é?
Quais as conseqüências a saúde das
pessoas que vivem na sua casa isto pode trazer? Agora
imagine : Se todos os dias, os restos de suas refeições
forem se acumulando no canto de sua cozinha... Quais
seriam as conseqüências? O que isto poderia
lhe trazer em termos de queda na qualidade de vida
de sua família?
Pois no aquário ocorre o mesmo.
Se sobrar, vai apodrecer trazendo conseqüências
terríveis ao ambiente como um todo.
Alimentando sem sobras, os filtros
biológicos e mecânicos, desde que estejam
bem dimensionados e em bom funcionamento se encarregarão
de eliminar as toxinas produzidas pelas fezes dos
peixes. Claro que recursos como sifonagens e trocas
parciais ajudam e devem ser feitas periodicamente
de acordo com as instruções de seu tipo
de aquário.
COM O QUÊ ALIMENTAR
O tipo de alimento que será
administrado, depende fundamentalmente do tipo de
aquário e espécies de peixes que você
tem.
No mercado temos vários tipos
de alimento como :
- alimentos em flocos;
- alimentos granulados ou em forma de bolinhas;
- alimentos para peixes de fundo como botias, corydoras;
- alimentos industrializados para peixes grandes e
carnívoros;
- alimentos desidratados;
- alimentos hidratados;
- alimentos vivos como artêmia, blood worm,
dafnia, tubifex, etc...
- alimentos congelados
- alimentos em forma de patê com misturas variadas
- etc...
Todos são muito bons e cada
espécie apresenta algumas exigências
distintas, mas basicamente, devemos procurar oferecer
aos peixes uma mistura com vários tipos de
alimento mas, para não exagerar na dose, que
tal um dia dar um tipo, no outro, outro tipo e assim
por diante?
QUANTO E COMO DEVO ALIMENTAR
Esta é a parte mais importante,
e como dissemos, alimentar deve ser encarado com seriedade.
Devemos realizar uma espécie de "ritual".
Não importa qual o tipo do
alimento, procure seguir esta regra básica:
Dar um pouquinho de nada (uma pitadinha)
apenas para chamar a atenção da "galera".
Quando todo mundo, ou ao menos a maior parte estiver
ali, esperando você jogar mais, jogue uma pitada
pequena, mas maior que a anterior. Repita isto mais
uma ou duas vezes, até que perceba uma diminuição
na voracidade do apetite de seus peixes, sempre muito
atento para que nenhum floquinho ou bolinha ou pedacinho
do que quer que seja fique pelo aquário. Cada
nova pitadinha só deve ser administrada quando
absolutamente todo alimento for consumido. Com isso,
todos ficarão satisfeitos e nada sobrará
no tanque.
Se quiser, diminua um pouco a quantidade
de alimento e poderá até alimentar duas
vezes por dia.
No caso de aquários marinhos,
isto também pode ser feito, mas no caso de
aquários de rochas vivas recomendaria que a
alimentação fosse encarada apenas como
um complemento na alimentação já
que as próprias rochas já fornecem grande
quantidade de alimento natural aos peixes. Uma alimentação
diária e em grande quantidade poderia causar
problemas como o aparecimento indesejável de
algas filamentosas bem como problemas no equilíbrio
do tanque.
Lembrem-se que peixes marinhos na
natureza não comem da superfície, ou
seja, não tem o hábito de buscar alimento
na superfície da água, e por isso podem
ter problemas para se adaptarem com alimentos industrializados
como flocos ou alimentos granulados por exemplo.
Para solucionar este problema, e
estimulá-los a comer, pode-se pegar um copo
de água (doce ou salgada) e jogar os flocos
e granulados dentro. Se quiser, coloque também
um pouco de artêmia viva ou congelada. Misture
levemente e adicione com água. Lembre-se: Tudo
isso da mesma forma já mencionada. Isto também
pode ser feito para água doce, mas devemos
sempre ter o cuidado de nunca deixar sobrar alimento.
Problemas com apetite?
É comum aos peixes marinhos
e algumas espécies de água doce não
aceitarem comida ou não se interessarem pelo
alimento fornecido pelo aquarista. Quando isto ocorre
podemos ativar o instinto natural de caça de
nossos peixinhos fornecendo-lhes artêmias salinas
vivas. As artêmias são pequenos crustáceos
sem carapaça altamente nutritivas e que, por
nadarem de maneira irregular quando colocadas no tanque
podem estimular este instinto em um peixe sem apetite.
Mas, devemos dar um tratamento a
artêmia antes de adicioná-la ao tanque:
Coloque sob água de torneira a artêmia
recém comprada na loja em uma redinha própria
para este uso. Em seguida, coloque-as em um copo com
água doce e deixe por cerca de 10 minutos.
Jogue-as na rede novamente e então coloque-as
novamente em um copo com nova água doce e então
jogue-as de maneira já mencionada no tanque.
Se quiser adaptar seu peixe a comer
alimento industrializado, adicione-o aos poucos junto
a artêmia e vá com o tempo diminuindo
a quantidade do crustáceo e aumentando a quantidade
de flocos até que consiga eliminar a artêmia,
mas é sempre bom, vez por outra alimentar seus
peixes com este pequeno ser por seus altos índices
de nutrientes.
Se por um acaso, alguma catástrofe
como excesso de comida jogado no tanque por empregada,
criança, cunhado ou entes familiares queridos
que ignoram o ritual da alimentação
procure retirar com uma rede ou mesmo sifonar (aspirar)
todo o excesso de alimento trocando um pouco da água
e o carvão, e rezar para que nada de mais grave
ocorra.
CONCLUINDO
95% dos aquaristas que tem tido problemas
com seus aquários nos dias de hoje não
sabem, mas seu problema é com o excesso de
alimentação, ou, melhor dizendo, alimentação
errada que gera sobras que acarretará no apodrecimento
parcial ou total do tanque causando mortes e mais
mortes.
Siga corretamente o ritual da alimentação
e , desde que possua um aquário bem montado
e efetue as manutenções necessárias,
terá fatalmente um tanque saudável e
livre de fungos e parasitas oportunistas por muito
e muito tempo.
Este é um texto produzido
por Sérgio Gomes