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Um dos fatores determinantes na adaptação
dos peixes ao cativeiro é disporem de uma alimentação
adequada, para que vivam em boa saúde, cresçam
rapidamente e se reproduzem bem, é necessário
sermos criteriosos na sua alimentação.
Para isso, há que se considerar os hábitos
alimentares de cada espécie. Alguns deles preferem
deixar-se morrer de fome a tocar em comida que não
seja do seu agrado.
Temos os herbívoros, que se
alimentam essencialmente de vegetais, os carnívoros,
que comem outros animais, e os omnívoros, que
apresentam um tipo de alimentação mista.
É necessário termos também em conta
a zona do aquário em que o peixe vive e se alimenta:
junto ao fundo, à meia água ou à
superfície. Devemos alimentar os nossos peixes
pela manhã e pela tarde, não sendo aconselhável
dar-lhes de comida durante a noite. Durante o dia, as
plantas estão produzindo oxigênio, o que
facilita muito a digestão.

RAÇÃO
Trata-se de misturas alimentares especialmente estudadas
de modo a oferecer uma dieta equilibrada para a maioria
dos peixes. Acima temos 3 exemplos de ração:
floco, tablete e granulada. Logo aqui surge o problema
de muitas espécies se recusarem a comer esse
tipo de alimento. Apesar de não ser tão
apreciada pelos peixes, são de um ótimo
desempenho nutricional, o que garante um bom rendimento
orgânico aos peixes. Por outro lado, os restos
de comida da refeição apodrecem rapidamente,
tornando-se num foco de poluição no aquário.
Para evitar que isso aconteça, devemos calcular
a quantidade de ração de modo a que esta
seja totalmente consumida em 5 minutos.
Os alimentos secos são utilizados
apenas como complemento, não devem constituir
a base alimentar de nossos "pensionistas".
A aveia deve ser dada previamente molhada, pois sêca
tende a inchar no estômago dos peixes, podendo
provocar desligamento dos tecidos internos. Alimentos
vivos e de origem animal congelados devem sempre estar
presentes na dieta deles.
ARTÊMIA SALINA
São camarões recém-nascidos de
água salgada. Pode-se encontrar em lojas especializadas
já nascidas e congeladas. Nesse caso, tira-se
uma pequena quantidade e deixa-se descongelar até
ficar com a temperatura aproximada da água. É
um dos alimentos mais apreciados pelos peixes.
A aparência da artêmia
depende do tipo de alimentação dela. Sua
coloração varia conforme a nutrição
e seu habitat. Artêmia vermelha é consequência
da alta salinidade do ambiente, ela é mais popular
e atrativa na forma viva. Porém sua nutrição
é incompleta e não bem balanceada como
a artêmia colhida em ambiente de menor salinidade.
Esta tem coloração esverdeada ou marrom,
é rica em proteínas, lipídeos,
ácido-graxo altamente insaturados e pigmentos
que realçam as cores dos peixes tropicais. No
desenho, temos uma artêmia macho (na esquerda)
e uma fêmea (na direita). As principais diferenças
são a visível formação das
garras dianteiras no macho e na fêmea nota-se
a formação dos ovos na base da futura
cauda. Medem aproximadamente 4mm.
Têm
a particularidade de os seus ovos poderem ser guardados
sêcos durante muito tempo, só eclodindo
quando encontram de novo condições favoráveis,
ou seja: água salgada.
Pode ser feita em um pequeno aquário
ou mesmo em uma garrafa de 2L com água salgada
e um aerador de pedra porosa. Pode ser água do
mar ou água doce com 40g de sal por litro. Adiciona-se
uma colher de chá de ovos por litro, ligue o
aerador e espere a eclosão, que ocorre entre
24 e 48 horas à uma temperatura de 25°C.
Desligando-se o ar, podemos ver as larvas de cor rosada,
nadando a meio da garrafa. Sinfona-se a água
com as larvas, mediante um tubo plástico fino,
para dentro de uma rede de malha bem fina para evitar
que a água salgada modifique as condições
da água do aquário e dê aos peixes.
Devem ser dadas em quantidades suficientes apenas para
que sejam comidas no mesmo dia, evitando que morram,
pois duram apenas algumas horas dentro do aquário.
 
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DÁFNIAS

São muito apreciadas pelos peixes.
São pequenos crustáceos, fácil
de encontrar em charcos ou lagoas de águas ricas
em matérias orgânicas. Não excedem
4mm quando adultas, reproduzindo-se com facilidade,
mesmo em cativeiro. Devem ser jogadas vivas no aquário,
mas não em quantidade excessiva, pois são
grandes consumidoras de oxigênio. Podemos criá-las
em casa, bastando para isso preparar dois ou mais aquários
(com ou sem plantas) de aproximadamente 15 litros ou
tanque ao ar livre, colocar neles uma ou duas dezenas
de dáfnias e alimentá-las bem. Alimentam-se
principalmente de algas microscópicas, infusórios
e excremento de caramujos. A razão de dois ou
mais aquários é evitar que todas desapareçam
no caso de uma epidemis. Se bem alimentadas, dentro
de alguns dias, teremos uma boa provisão delas.
CYCLOPS
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Quando adultos têm o tamanho de 2 a 3 mm. O seu
nome não vem do seu tamanho, mas sim por possuírem
um só olho, como o gigante mitológico.
Possuem apenas antenas que servem como órgãos
táteis e sensitivos. Ótimo alimento, embora
alguns criadores tenham relatado que os adultos podem
atacar os alevinos e mesmo pequenos peixes. O melhor
é dar-lhes somente as larvas, denominadas nauplius.
Embora essa informação não tenha
sido comprovada, fica aqui a informação.
Os nauplios, com aproximadamente 1mm de comprimento,
constituem um ótimo alimento para os alevinos.
Geralmente, seu habitat é junto com as Dáfnias
e podem ser cultivados como elas, porém não
são tão abundantes quanto elas.
MINHOCAS
Sob
este nome são conhecidas popularmente duas espécies:
a minhoca da terra, que se pode encontrar em qualquer
jardim; e a minhoca do lodo, que é usualmente
empregue para a pesca no mar. Constituem um bom alimento,
podendo ser dadas aos peixes cortadas conforme o tamanho
de suas bocas. Sua carne é proteína quase
pura (76%). Além disso, seu excremento (húmus)
é um excelente fertilizante para as plantas.
O húmus produzido por elas tem 5 vezes mais cálcio,
2 vezes mais magnésio, 7 vezes mais fósforo
e 11 vezes mais potássio que o solo de onde elas
são extraídas. Sabendo utilizá-las
poderão trazer ótimos benefícios
ao aquário.
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TUBIFEX
O
Tubifex rivulorum, é um pequeno verme
de cor avermelhada medindo de 1 a 5cm de comprimento
por 0,5cm de espessura, muito semelhante a uma minhoca
(ambos pertencem à classe Oligochaeta). Vivem
meio enterradas no lodo, em pequenos tubos feitos por
eles, deixando de fora parte do corpo, que se agita
sem cessar. Habitam cursos de água com elevada
poluição orgânica. São altamente
nutritivos e muito apreciado pelos peixes, mas tem o
grave defeito de elimar um ácido junto com as
fezes, o que pode baixar o pH da água. Por isso,
deve ser lavado bastante em água corrente e posto
em pequenas quantidades no aquário, para ser
comido o mais rapidamente possível, e de preferêcia
em comedouros especiais flutuantes, dos quais vai saindo
aos poucos, sendo logo comido pelos peixes. Jamais devem
ser dados depois de mortos, a menos que seja segundos
antes de dá-los cortados aos peixes, pois se
decompõem rapidamente e podem causar mal-estar.
Devem ser dados com cautela, pois são excessivamente
ricos em matérias graxas. Além de ser
um alimento "pesado", a captura em seu habitat
natural não é aconselhável pois
são portadores de micróbios e podem trazer
doenças ao ser dado aos peixes. Já existe
no mercado, rações à base de Tubifex,
por isso aconselho que seja adquirido apenas tubifex
industrializado por não ter risco de contaminar
nossos "pensionistas".
LARVAS DE MOSQUITO
Para
fazer o seu cultivo, basta colocar um recipiente cheio
de água num jardim ou em qualquer outro lugar
a céu aberto. Os mosquitos irão pôr
seus ovos e em 8 ou 10 dias nascerão as larvas.
Mantém-se em posição oblíqua,
com a cabeça para baixo e os tubos respiratórios
à superfície. Mergulham à menor
vibração da água, mas passado algum
tempo tem de regressar de novo à superfície
para respirar. Constituem um bom alimento para os peixes,
especialmente aqueles que se alimentam junto à
superfície. É uma comida disponível
durante quase todo o ano, mas devido à crescente
multiplicação dos casos de dengue, não
se deve arriscar esse tipo de cultivo. Caso você
queira experimentar produzir este "aperitivo",
logo após o surgimento das larvas, deve tampar
a boca do recipiente com uma tela que impeça
que a larva fuja após virar mosquito. Caso isso
ocorra, você poderá facilmente eliminar
o possível portador de doenças. Em forma
de larvas são inofensivas e não trasmitem
doenças nem para nós nem aos peixes.
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MICROVERMES
Da
espécie Anguilula silusiae, os microvermes
são pequenos vermes bracos, de forma cilíndrica,
que alcançam no máximo 3mm de comprimento
e são muito ricos em proteínas e gordura,
tornando-se uma excelente opção para alevidos
após a segunda semana de vida. Para criação,
deve-se utilizar recipientes com uma camada de carvão
mineral, uma de aveia sobre o carvão e água
sem cloro até 3mm acima da superfície
da aveia. Em seguida, colocam-se as matrizes no recipiente.
Para evitar mosquitos, é necessário o
uso de uma tela, ou algo que cubra a criação.
A fêmea reproduz com a ausência do macho
e em poucas semanas podem ser vistos os vermes subindo
pelas paredes do recipiente. À medida em que
isto ocorre, eles podem ser coletados com uma lâmina
fina, de forma a não pegar aveia, apenas os animais.
Quando os vermes começarem a parar de subir,
devemos acrescentar mais aveia. Esta deve ser acrescentada
apenas umas três vezes em cada cultura. Após
isto, é aconselhável iniciar uma nova,
utilizando uma porção da antiga como matriz
da nova. Culturas muito antigas tendem a não
suprir as necessidades chegando até a morrer.
Excelente alimento para filhotes e adultos.
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ENQUITRÉIAS
A
enquitréia (Enchytraeus albidus) é
um verme branco e cilíndrico de aproximadamente
1,5cm de comprimento (macroverme), parecido com uma
minhoquinha e bastante apreciado pelos peixes em fase
adulta. São muito fáceis de criar em casa
e consistem num ótimo aliemento para o peixe.
Enquitréias se desenvolvem em qualquer tipo de
solo. No Brasil, costuma-se utilizar carvão ativado,
usado. Folhas em decomposição e húmus
de minhoca ajudam a tornar o "meio". Em uma
caixa qualquer de isopor ou madeira entre 15 e 60 cm
de comprimento, com 15 a 30 cm de largura e uns 10 a
15 cm de profundidade, com tampa para bloquear a luz
e manter predadores fora. Encha a caixa até 2/3
da altura. Molhe o "meio" até que esteja
razoavelmente úmido. Disperse um pouco de alimento,
tal como aveia, na superfície. Coloque a cultura
inicial de enquitréias. Tampe a caixa com uma
placa de vidro. De preferência, deixe-a em local
escuro e fresco. São sensíveis ao calor
e sua temperatura ideal é de 15°C, se ultrapassar
os 21°C elas não resistem e morrem.
As enquitréias podem ser criadas,
também, ao ar livre, em jardins, desde que colocadas
em terra vegetal ou composto. Basta para isso, cercar
um pedaço do terreno, com muretas ou tábuas
de madeira ou outro material e que sejam proporcionadas,
às enquitréias, as mesmas condições
por elas exigidas nas caixas de criação:
alimentação, umidade e temperatura. A
criação em terreno ao ar livre te o incoveniente
de ser invadida por predadores e por competidores como,
por exemplo, as minhocas que comem toda a alimentação
das enquitréias.
Podemos alimentá-las com aveia
molhada, pão umedecido com leite, batata cozida
em rodelas, feijão cozido com casca ou qualquer
outro cereal desde que esteja bem molhado. Não
devemos dar comida em excesso para evitar que a terra
vegetal se acidifique. Em uma boa cultura, as enquitréias
vão se acumular, em massa, na superfície
do solo. Há quem coloque lâminas de vidro
ali parcialmente enterradas, para as colher mais facilmente.
Não retire as enquitréias no primeiro
mês de cultura, para que a colônia se desenvolva
plenamente, evitando a concorrência de outros
interessados no alimento. Geralmente, seis semanas após
o início da cultura já se reproduziram
em quantidade suficiente e já podemos começar
a colher para dar aos peixes. Quando a colônia
estiver degradando, inicie uma nova, retirando as matrizes
da antiga.
Os peixes são muito vorazes
ao consumo de enquitréias, no entanto este tipo
de alimento deve ser ministrado apenas 2 ou 3 vezes
por semana pois, devido ao alto teor de gordura, o consumo
diário pode acarretar prejuízos à
saúde devido ao acúmulo de gordura entre
os ósgãos internos do peixe guloso tornando-o
obeso. É aconselhável lavá-las
bem em água corrente antes de as colocarmos em
aquários.

ORIGEM VEGETAL
Para as espécies que necessitam
de uma base vegetal em sua dieta, o ideal é fornecer-lhes
folhas de alface ou espinafre, as quais se passam rapidamente
por água a ferver, para que fiquem mais macias.
Devem ser dadas bem picadas, com pedaços proporcionais
a boca do peixe. Se necessário, triturar no liqüidificador.
Ou ainda, segundo um método mais natural: introduz-se
uma pedra em um recipiente cheio de água. Depois,
ponha o recipiente em local bastante iluminado. Desenvolvem-se
rapidamente sobre a pedra algas verdes e filamentosas.
A pedra é então introduzida no aquário
e substituída por outra.
ORIGEM ANIMAL
Pode ser congelada. A vantagem dos
alimentos congelados é que você tem sempre
a mão, e também tem um valor nutritivo
alto, principalmente os patês. Deve-se no entanto
ter o cuidado de, antes da distribuição,
deixar descongelar, e mesmo procurar que a temperatura
esteja próxima a da água do aquário.
As mais utilizadas são: peixe, camarão
descascado, ovas de peixe, coração de
boi ou de peru. Devem ser dadas cruas e cortadas em
pedaços proporcionais à boca dos peixes.
Dispomos ainda de carne crua, raspada fininha; fígado
fresco, passado no liquidificador e cozido no banho-maria
até sua coagulação, para não
turvar a água.
INFUSÓRIOS
Para os peixes recém-nascidos,
podemos usar vários tipos de alimentação:
gema de ovo bem cozida e diluída em água,
dada com conta-gotas algumas vezes por dia em pequenas
quantidades para evitar que a água se turve;
leite em pó, também em pequenas quantidades;
infusórios, que podem ser dados gota a gota;
e camarões recém-nascidos, de uma espécie
diminuta.
Os
infusórios são micro-organismos, alguns
grandes o bastante para poderem ser vistos a olho nu.
Estão em toda parte, como as bactérias,
mas não em quantidade suficiente para alimentar
os nossos peixinhos. Dentre alguns desses microorganismos,
temos: Paramaecia, Hydatina, Amoeba, Actinophrys,
Vorticela.
Podemos obtê-los em massa, bastando
para isso preparar alguns recipientes com água
"velha", tirada de um aquário e adubada
com alguns pedaços de alface, lentilha de água,
ou qualquer tipo de folhagem que se deixou secar ao
sol por uns 2 dias e deixar o recipiente am um lugar
escuro. Em poucos dias a água estará cheia
de infusórios, podemos tirá-los com uma
colher e dá-los aos peixes. Uma colherada desta
cultura deve conter algumas centenas desses pequeninos
seres, que são a alimentação de
todos os alevinos nos seus primeiros dias de vida. Geralmente
não se consegue, nas primeiras vezes, saber qual
a quantidade certa de vegetal que nos dê infusórios,
e não uma água podre e em rápida
decomposição. A prática leva ao
acerto.
"Não é fácil
alimentar bem os nossos peixes, mas a melhor recompensa
para nós é vermos saudáveis, vivazes
e reproduzindo-se naturalmente, como se estivessem em
suas águas de origem."
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